No dia 3 de novembro, ao lado da mística Catarina Emmerich e do Imperador Carlos I, da Áustria, dos quais já falamos nesta coluna, o Papa declarou bem-aventurado, concedendo-lhe as honras dos altares, também ao Pe. Pierre Vigne, fundador da Congregação das Religiosas do SS. Sacramento, que em Maceió dirigem o Colégio do SS. Sacramento e marcam presença pastoral também em Bebedouro e no Pilar, com um total de 20 religiosas na Arquidiocese.
Alguns dados de sua vida: Pierre Vigne nasceu em 1670 na França .Formado na excelente escola de formação sacerdotal dos Padres Sulpicianos, ordenou-se com 24 anos de idade e exercendo o ministério pastoral numa paróquia pobre de periferia, conheceu a vida do povo pobre e simples. Entusiasmado pelas missões populares, entrou na Congregação dos Padres Lazaristas em 1700, dedicando-se à pregação das santas missões entre o povo de toda a região de Lyon. Deixando os Lazaristas aos 36 anos de idade, ele continuou com seu método próprio de pastoral junto ao povo simples do campo. Foi aí que fundou a Congregação das Irmãs do SS. Sacramento, continuando a pregação das missões populares. Mais tarde, em 1723, associou-se aos Padres do SS. Sacramento, do Mons. D´Authier de Sisgaud, em Valence, onde sua vida espiritual ficou toda marcada pela contemplação e oração do mistério da Eucaristia. Faleceu em julho de 1740 aos 70 anos de idade.
Aqui vem a pergunta: Em pleno século 21, qual será a atualidade de um santo do século 18?
Acontece que neste domingo, 17 de outubro, encerrando o Congresso Eucarístico Internacional de Guadalajara, México, o Papa João Paulo II abriu o Ano da Eucaristia, por ele promulgado para toda a Igreja até outubro de 2005.
A vida e os ensinamentos de Pierre Vigne são para nós, cristãos do Ano Eucarístico, modelo e luz pela Presença adorável de Jesus na Eucaristia e lição esplendorosa de culto de amor pelo mistério divino da Eucaristia. Os recentes documentos do Santo Padre, a Encíclica "Ecclesia de Eucaristia" (A Igreja da Eucaristia) e a Carta Apostólica "Mane nobiscum Domine" (Ficai conosco, Senhor" - Lucas 24,29) juntamente com a Instrução da Congregação para o Culto Divino "Redemptionis Sacramentum" (O Sacramento da Redenção) formam um admirável conjunto de sábias exortações e oportunas orientações para toda a Igreja viver o Ano Eucarístico.
Assim, não podia ser mais atual, neste momento histórico da Igreja, iniciando novo milênio, a apresentação ao mundo cristão do exemplo e da doutrina do novo Beato. Os biógrafos de Pierre Vigne nos informam que desde a adolescência ele nutriu um grande amor pela presença de Cristo Jesus na Eucaristia. A celebração da Missa e a adoração de Jesus presente no SS. Sacramento estão no coração de sua vida cotidiana, dizem os biógrafos. E acrescentam: A fé de Vigne e seu amor pela Eucaristia, "memorial da Paixão" e "belo sol da Igreja" dão-lhe a exata dimensão do padre e de seu sacerdócio, juntamente com um sentido profundo da beleza e da dignidade da sagrada Liturgia.
Sobre os sacramentos da Igreja, assim se exprime o Beato Vigne: "O Batismo é a nossa páscoa particular, isto é, nossa ressurreição pessoal." "A Confissão é o sinal da misericórdia do Deus que perdoa sempre, colocando-nos no caminho do amor e fortificando-nos na graça." A comunhão do corpo de Cristo na Eucaristia é "nossa árvore de vida."Seu amor a Maria, que ele venerava como Nossa Senhora do SS. Sacramento, porque dizia que era o "belo tabernáculo de Deus entre os homens." Por isso também, a oração do Santo Rosário, cujo ano celebramos recentemente, tinha lugar especial na vida e na pregação das missões de Pierre Vigne. Ele dizia que "a Eucaristia como tesouro do Amor de Deus é ao mesmo tempo fonte da proximidade de amor com todos os homens e raiz de sua caridade ativa e eficaz."
Foi assim que o Beato Vigne desenvolveu sua ação nos dois campos de seu apostolado: o da vida religiosa e o da vida sacerdotal, na fundação de sua Congregação do SS. Sacramento e no fervor pela pregação das santas missões, com absoluta fidelidade à Igreja, alicerçada em profunda cultura teológica..
Sua figura emerge para nós neste Ano especial com os fulgores de seu exemplo e de sua doutrina eucarística, que devemos imitar e cultivar.
