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Fazer bebés

"Se ouvirdes que alguma mulher não deseja ter seu nenem e pretende abortar, procurai convencê-la a trazer-mo. Eu o amarei, vendo nele o sinal do amor de Deus" - declarou a Beata Madre Teresa de Calcutá em Oslo, a 10 de dezembro de 1979, quando da recepção do Nobel da Paz daquele ano. Um sinal do amor de Deus! - assim vê uma criança vinda ao mundo a Irmã , "ícone do Bom Samaritano", como a chamou João Paulo II quando a declarou Beata, no domingo 19 de outubro último.

Já o jornalista Eddie Lee dizia num artigo publicado no The Straits Times, reproduzido pelo Washington Post, em setembro último: "Fazer bebés tem também um bom sentido econômico". E comentava: A Itália é um país católico de longa tradição de famílias numerosas. Mas o ano passado, não obstante a taxa que os pais devem pagar se não tiverem filhos, a média da fertilidade foi de 1.2, a metade do que era nos anos oitenta. A hierarquia católica tem se pronunciado sobre o assunto, mesmo sendo mal compreendida, pelo temor da extinção da cultura cristã italiana, frente aos numerosos casamentos de muçulmanos com moças católicas, com exigências de observância das leis do Alcorão. Na Inglaterra, um estudo demonstrou que uma em cada cinco mulheres de 40 anos não têm filhos, o que significa que é o dobro das mulheres de 40 anos sem filhos de vinte anos atrás. A taxa de fertilidade é hoje de 1.6. Na Escócia, as mortes hoje já excedem os nascimentos, o que significa que a população começa a declinar.

Continuando com a atual taxa de nascimentos, para 2050 a Itália poderá perder 16% de sua população e a Alemanha terá que importar cada ano meio milhão de trabalhadores para manter no nível atual sua população economicamente ativa - são informações do "The Straits Times" no artigo acima citado.

O Diretor da divisão de demografia da ONU, Joseph Chamie, diz que aquilo que o mundo está plantando hoje é a revolução na fertilidade. As taxas estão caindo praticamente em todos os países. Os mesmos fatores que contribuem para o declínio da fertilidade na Europa estão surgindo nos países em desenvolvimento. Dos 6 bilhões de hoje, a população mundial estará em torno de 9 bilhões na metade do século. Há uma década atrás, a projeção da ONU era para 12 bilhões. As conseqüências econômicas deste declínio da população, diz o artigo de Eddie Lee que estou citando, são fáceis de perceber. Com menos pessoas em idade de trabalhar e mais na velhice e na dependência, a capacidade de produção econômica e o poder aquisitivo tendem a diminuir. Não é coincidência que o Japão, que tem a população mais velha do mundo, com uma média de idade de 41,3 anos e o maior número de pessoas centenárias, seja a primeira economia industrial do após-guerra a sofrer deflação. A Itália, a Suíça e a Alemanha, com uma média de idade de 40 anos, começam agora a sofrer recessão econômica.

A Igreja tem sido acusada injustamente de promover uma explosão demográfica, causa para seus injustos acusadores, da pobreza do mundo. Dizia Paulo VI: "Não vamos criminosamente diminuir o número dos comensais, mas vamos procurar aumentar a quantidade dos alimentos na mesa de todos." O problema da paternidade responsável nos leva à questão do uso dos preservativos artificiais, mais famoso de todos atualmente, a chamada "camisinha". Ela está sendo propalada como o remédio mais eficaz no combate à AIDS e oferece ensejo de a Igreja ser acusada de contribuir para a difusão do contágio, por condenar para os católicos o uso deste preservativo.

O que a doutrina cristã não pode aceitar - e a Igreja quer ser apenas sua fiel depositária e transmissora - é a prática do sexo irresponsável e promíscuo. O sexo para a Igreja é santo, sagrado, divino, na vida matrimonial, no amor recíproco dos esposos e aberto à vida. Pessoalmente, não entro aqui na disputa científica se o virus do HIV atravessa ou não o tecido da famigerada "camisinha", embora cientistas de grande prestígio internacional afirmem que sim. O que é inaceitável é que, em nosso país, sejam distribuídas "camisinhas" aos adolescentes para a prática de um sexo irresponsável no Carnaval. O que considero inaceitável, do ponto de vista moral, é que se veicule na televisão imagens da mãe, que pergunta à filha adolescente indo se encontrar com o namorado "se ela já cuidou de colocar uma camisinha na bolsa"... Isso é estimular a prática desse sexo, que não tem nada de seguro, e esse sim, é causa de propagação da epidemia da AIDS...

data do artigo: 24/11/2003

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