A imprensa mundial nestas últimas semanas tem se dedicado a descrever o novo Papa, através de seus livros e discursos. Como foi sua trajetória de vida até chegar ao Supremo Pontificado, suas tendências, suas opiniões, seu conceito de Igreja, seu julgamento sobre as correntes teológicas do momento, sobre o ecumenismo, sobre a moral sexual, etc.etc.
Eu começaria dizendo: De onde vem o Papa? Esses e todos os demais... Ele não vem nem de Milão, nem de Cracóvia, nem da Baviera. Ele vem das margens do lago de Tiberíades, quando Jesus perguntou a Simão: "Tu me amas mais do que estes?" E diante da resposta afirmativa de Pedro, Cristo lhe confiou: "Apascenta meus cordeiros - apascenta minhas ovelhas" (Ver Jo 21,15-17). E qual é sua tarefa como pastor dos cordeiros e das ovelhas de Jesus? Na última Ceia, o Senhor declarou a Pedro: "Eu roguei por ti para que, uma vez convertido, confirmes teus irmãos na fé" (Ver Lc 22, 32). Eis aí o ministério petrino: confirmar os irmãos - bispos, sacerdotes, povo de Deus - na fé de Jesus. E qual é seu papel na Igreja? Está bem claro no Evangelho de Mateus, cap. 16, versículos 18 e seguintes: "Tu és Pedro, e sobre esta Pedra, eu edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela!"
Bento 16 é o Pastor de todo o rebanho de Cristo, exerce o ministério, herdado do Apóstolo Pedro, de confirmar nossa fé cristã. Ele é a Pedra indestrutível da Igreja de Jesus, contra a qual, as potências do Mal e da destruição nada poderão fazer. Em suma: o nosso querido Papa atual deve ser visto à luz da fé, na sua origem, na sua missão, no seu ministério.
No momento de sua eleição, em suas primeiras palavras à Cidade e ao Mundo, ele se autodefiniu como: "Um humilde trabalhador da vinha do Senhor. O fato de que o Senhor saiba trabalhar e agir mesmo com instrumentos insuficientes me consola e principalmente me entrego às vossas orações. O Senhor nos ajudará e Maria, sua Mãe santíssima, está do nosso lado.". Não me interessam as alcunhas pejorativas de alguns jornalistas sobre ele, nem as ridículas previsões antes-Conclave que não seria eleito um Papa de país economicamente importante ou quem entrava Papa no Conclave sairia por isso Cardeal mesmo... Ele é filho da Alemanha e era apontado como um dos prováveis sucessores de João Paulo 2º.
Mas já podemos com segurança conhecer seu pensamento teológico e sua atual postura pastoral em dois recentes documentos: na homilia da missa de abertura do Conclave, presidida por ele na qualidade de Decano do Sacro Colégio Cardinalício e no sermão da Missa de início solene de seu Pontificado.
Na missa de abertura do Conclave, enfatizou: "O elemento do evangelho de hoje ao qual eu desejaria acenar é o discurso de Jesus sobre o dar fruto: ''Fui Eu que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça..'' O fruto que permanece é aquilo que semeamos nas almas humanas - o amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração: a palavra que abre a alma à alegria do Senhor."
Na homilia do início solene de seu Pontificado, afirmou Bento 16: "Não devo carregar sozinho aquilo que realmente nunca poderia carregar sozinho. O exército dos santos de Deus protege-me, sustenta-me e me conduz. Vossa oração, caros amigos, vossa indulgência, vosso amor, vossa fé e vossa esperança acompanham-me. De fato, à comunidade dos santos não pertencem apenas as grandes figuras que nos precederam e cujos nomes conhecemos. Todos nós, batizados, formamos a comunidade dos santos."
E prosseguiu: "Sim, a Igreja está viva - esta é a maravilhosa experiência destes dias. E a Igreja é jovem. Ela leva em si mesma o futuro do mundo e, por isso, mostra a cada um de nós o caminho para o futuro. A Igreja está viva e nós experimentamos a alegria que o Ressuscitado prometeu aos seus. Ela está viva porque Cristo está vivo."
Mais adiante, acrescentou: "Não preciso apresentar um programa de governo. Meu verdadeiro programa é o de não fazer a minha vontade, de não procurar as minhas idéias, mas pôr-me à escuta, com toda a Igreja, da palavra e da vontade do Senhor, de me deixar guiar por Ele, de modo que seja Ele mesmo a guiar a Igreja nesta hora de nossa história."
E concluiu com uma última palavra aos jovens: "Volto com a memória ao dia 22 de outubro de 1978, quando o Papa João Paulo 2º iniciou seu ministério aqui nesta mesma Praça. Assim, hoje, eu também quero com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, dizer a vós, caros jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada e dá tudo. Quem se dá a Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri, escancarai as portas a Cristo - e encontrareis a verdadeira vida. Amém."
Esse é o Papa que o Senhor Jesus deu à sua Igreja neste início do terceiro milênio de sua história.
