Certamente louvável é a preocupação dos ambientalistas pela preservação de algumas espécies animais em risco de extinção, como o peixe-boi, as baleias, o mico leão-dourado e outros. Mas eu fico pensando: e nossas crianças e jovens, dos quais depende o futuro da humanidade, quem se preocupa com sua exploração, que ameaça a sobrevivência do jovem como pessoa humana, digna e respeitável, senhora de direitos e deveres? Na semana passada, uma revista de circulação nacional, em longa reportagem, punha em descoberto a chaga social da eliminação de crianças em Maceió, exagerando um pouco (ao meu ver) no número dos que seriam propriamente meninos-de-rua e não apenas meninos na rua da capital alagoana.
Um calendário, produzido pelos Salesianos da Itália, exibe números espantosos e horripilantes do problema dos maus tratos de crianças e jovens pelo mundo afora.
Meninos e meninas, sem lar, sem nenhuma assistência, sujeitos a pequenos furtos, agressões, droga (como o cheirar cola) serão quase 100 milhões no mundo, que vivem e morrem nas ruas de frio, de fome, de doenças ou assassinados. Os meninos-soldados, por incrível que pareça, constituem exército de cerca de 300 mil em todo o mundo, utillizados nas mais arriscadas operações de guerra como, por exemplo, limpar campos minados. A pedofilia e o turismo sexual constituem um "business" vergonhoso. Cada ano, informa a UNICEF, cerca de um milhão de meninas é introduzido no comércio do sexo. Esse mercado movimenta 13 bilhões de dólares por ano. O trabalho infantil - praga ainda florescente em nosso país - envolve no mundo cerca de 250 milhões de crianças, dos 5 aos 15 anos, obrigadas a trabalhos proibidos pela sua periculosidade física, psíquica ou moral. Após mais de um século da abolição da escravatura, nunca houve tantos menores escravos no planeta. Estatísticas oficiais apontam para cerca de 50 milhões de crianças nos países de todo o mundo, sem registro civil, não participantes dos direitos da cidadania, sem família, sem nacionalidade reconhecidos, engrossando o contingente dos 130 milhões de analfabetos, por não poderem ter acesso à escola pública. Quadro desolador formam os jovens, menores de idade, encarcerados. Na Itália, são cerca de 500 e nos Estados Unidos, as estatísticas informam que jovens detidos nas cadeias, são 100 mil. Preparam-se para serem os grandes criminosos do futuro próximo. O tráfego forçado de órgãos humanos são uma das maiores vergonhas de nosso tempo. Fala-se de 4 milhões de mulheres e crianças envolvidas neste sujo comércio. Acrescentem-se a esse número estarrecedor os 6 milhões de crianças mutiladas por causas diversas. O número de crianças pobres e marginalizadas, na faixa da miséria, vai além de qualquer previsão numérica. É certo que há no planeta aproximadamente 160 milhões de crianças desnutridas. E dessas, morrem de fome anualmente 6 milhões. Nos esgotos de Bucarest, moram mil crianças e perambula pela Europa, sem morada fixa, cerca de um milhão de crianças vagantes. A cada minuto, em todo o mundo, 5 crianças contraem o virus HIV. Nos cinco continentes, são já quase 11 milhões de menores com AIDS. Com facilidade, as crianças são vítimas da tuberculose, malária, meningite, hepatite e cólera. Órfãos e refugiados formam o sombrio exército de 50 milhões no mundo, vítimas das guerras, dos ódios raciais e de todo tipo de perseguição. Só na África, a AIDS nos adultos já provocou mais de 13 milhões de órfãos.
Este é o quadro tétrico, que o mundo do consumismo, da globalização, da tecnologia espacial, da internet nos apresenta. Que dizem esses dados à nossa consciência cristã para um compromisso concreto e generoso?
