Concluí o artigo da semana passada com o voto de que a Europa seja preservada cristã para o enriquecimento espiritual de toda a humanidade.
Grandes foram os esforços da Santa Sé e dos bispos europeus para que no projeto da Constituição da União Européia ficassem bem evidenciadas as raízes cristãs de sua história. Esse é um tributo à verdade histórica insofismável, que distingue as origens do Velho Continente, cuja cultura foi formada com a conversão para o cristianismo quando da invasão dos povos chamados "bárbaros" e a queda do Império Romano.
Infelizmente, isso não aconteceu e o projeto da nova Constituição Européia ignorou suas verdadeiras e indiscutíveis origens cristãs.
O episcopado da Polônia assim se manifestou num documento datado de Varsóvia, no dia 19 de junho deste ano de 2004:
"Não obstante a convicção de uma grande parte dos povos da Europa, várias vezes expressa nos veementes apelos do Sumo Pontífice e dos vários episcopados nacionais europeus, a Constituição Européia não registra nenhuma referência às origens cristãs de nosso Continente. Recebemos com repúdio este fato como falsificação da verdade histórica e proposital e consciente marginalização do cristianismo, que por séculos foi e continua a ser a religião de uma parte decisiva dos europeus. O laicismo ideológico que encontrou sua manifestação na tomada de posição de alguns governos europeus desperta em nós uma firme oposição e uma preocupação pelos destinos futuros da Europa."
Logo, no dia seguinte, ao rezar o "Angelus" com o povo na praça de S. Pedro, como faz o Papa todos os domingos ao meio-dia, assim afirmou João Paulo II:
"Agradeço à Polônia que no foro europeu defendeu com fidelidade as raízes cristãs do nosso Continente, das quais nasceram e cresceram a cultura e o progresso da civilização dos nossos tempos."
E com sua energia habitual, proclamou o Papa Wojtyla: "Não se cortam as raízes, das quais se cresceu!" ( 20 de junho de 2004).
Recebendo em 21 de setembro deste ano o embaixador de Portugal, o Santo Padre ainda teve oportunidade de mais uma vez tornar público o seu pensamento:
"Senhor Embaixador, as autoridades do governo português não hesitaram em reconhecer e propalar as próprias convicções cristãs à hora de colaborar na preparação de uma Constituição européia. Desejo aproveitar esta ocasião para externar o meu reconhecimento pela ação de seu Governo em ressaltar a identidade cristã da Europa, e faço votos que as convicções que dela derivam possam afirmar-se tanto no âmbito nacional como no internacional."
Um Estado laico significa um Estado onde há liberdade de culto e onde cada um serve ao seu Deus conforme sua consciência individual. Não significa um Estado que desconheça suas origens cristãs e pretenda apagar a história, esquecendo suas raízes, como bem disse João Paulo II.
