Queiramos ou não, a Europa continua a ter influência internacional, decisiva para a fomação cultural do mundo inteiro. Isso, apesar e além da emergente cultura americana - e estamos na semana das eleições dos Estados Unidos, que atraem a atenção mundial - influência que vai do Japão, (com a juventude imitando os modelos americanos no traje, na música e em tantas manifestações americanizadas) até a nova Rússia e a China, sem falar da América Latina, toda ela subordinada aos padrões culturais americanos. Mas o chamado "Velho Continente" continua a "dar as cartas" na arte, na política, nas tradições universitárias, despertando sempre o interesse cultural do mundo ocidental, que dela tanto recebeu na História, que não pode ser esquecida.
Em maio deste ano, com a ampliação da União Européia (a UE), criação dos dois grandes líderes, Adenauer, da Alemanha, e De Gasperi, da Itália - que sofreram na pele os horrores da 2a. Guerra mundial - e a valorização do euro sobre o dólar, a imprensa mundial está fazendo interessantes comentários sobre a nova Europa. "A Europa sem Varsóvia é como Roma sem o Coliseu" - afirmava recentemente a revista "Luoghi dell'Infinito" citada numa publicação salesiana de Bologna. Era um insulto ao bom senso, antes de sê-lo à política, continua a revista. Por meio século, a UE desconheceu não só a capital da Polônia, mas também Budapeste e Praga. Agora, finalmente o erro foi reparado. A UE cresceu para o Leste e para o Sul. Dez novos países fazem agora parte do Europarlamento. São nações ricas de História, exatamente Polônia, Hungria e a República Checa. Sua entrada na UE é ainda benéfica conseqüência da queda do Muro de Berlim em 1989. A esses, vieram unir-se a Eslováquia, a Eslovênia e as repúblicas do Báltico, Estônia, Letônia e Lituânia. Na área do Mediterrâneo, ingressaram Malta e Chipre, pequenas territorialmente, mas de grande importância estratégica. Mas já batem à porta da União Européia outras nações. Em 2007, será a vez da Bulgária e da Romênia. Todas nações oprimidas pelo regime comunista da extinta União Soviética, mas que sempre se sentiram européias, apesar da política, sem o seu consentimento, ter decidido o contrário.
E, falando da Europa, parece-me oportuno transmitir aqui uma informação, para nós curiosa e agradável. É um dado do jornalista Sílvio Polisseni. Ele contabiliza, na mesma revista de Bolonha, 1500 santuários marianos na Itália. E acrescenta que nas outras nações cristãs da Europa, não são poucos os santuários dedicados à Virgem. A Idade Média deu à Europa uma forte marca mariana, que, também depois da Reforma protestante, permanece bem nítida. Carlos Magno dedicou a Maria (la Dame!) não só todos os seus empreendimentos, mas o templo dourado de Aix la Chapelle (hoje Aachen, na Alemanha). De seu exemplo, se seguiram a Catedral de Rouen e a de Chartres, hoje ainda metas de peregrinações nacionais. A Inglaterra tem a Senhora de Radecliff, a Senhora de Worcester, a Senhora de York, a Senhora de Salisbury, a Senhora de Westminster, a Senhora de Walsingham... e outras mais, todas exaltadas pela devoção de S. Anselmo de Canterbury. A Espanha, depois de Cavadonha, tornou-se missionária da devoção mariana com a sua "Santa Maria", com que Cristóvão Colombo partiu de Palos para a conquista do Novo Mundo. Na Alemanha, lembra o Polisseni a suntuosa catedral de Bamberga, dedicada a Nossa Senhora, e para cuja consagração o Papa levou Guido d'Arezzo, que com sua "Salve Regina" dava início à união do gênio musical italiano com o alemão, união que teve imensas repercussões artísticas nos dois povos desde então.
Esta é a Europa, cristã e mariana, que deve ser preservada para riqueza do patrimônio espiritual da humanidade.
