CNBB
Principal>>

Artigos


O Papa dos Gestos Humanos

Vou extrair alguns dados, que me parecem bem interessantes sobre o atual pontificado, de um artigo de Rosanna Consolo, publicado na revista "Sacro Cuore" de Bolonha.

"Vou ouvir a sua verdade, a sua verdade como homem" - dizia João Paulo aos jornalistas, no avião que o levava a Cuba em janeiro de 1998. Naquela Visita Pastoral, o Papa encontrou, além de Fidel Castro, o povo cubano e em favor dele, fez corajosas reivindicações. É claro que prioritariamente anunciou Jesus Cristo em sua mensagem de liberdade, libertação e esperança. Como Jesus a Zaqueu, pedindo que ele descesse do sicômoro (Domingo 31 do tempo comum), também o Papa tratou com o presidente cubano, já ex-aluno jesuita e guerrilheiro pela libertação de seu povo, hoje, ateu, ditador absoluto e carrasco de inúmeras condenações ao "paredón". Tratou com Fidel como homem, porque ao homem, o Papa dedica todos os seus gestos e ensinamentos.

É o Papa, que sempre ao serviço do homem - "Redentor do Homem" foi sua 1a encíclica - realizou sublimes gestos de acolhida, algumas vezes de reconciliação com a história e também de pedido de perdão pelos erros dos homens da Igreja no passado.

Em seus 26 anos de pontificado, entre outros, encontrou-se com Mikhail Gorbachev, Gromyko, Boris Yeltsin, o general Jaruzelsky e o sindicalista-presidente Walesa, o presidente da Autoridade Palestina, recentemente falecido, Yasser Arafat e os israelenses Simon Peres e Yitzhak Rabin, o imperador do Japão Akihito, Nelson Mandela, Jimmy Carter, Ronald Reagan, Bill Clinton, George Bush, pai e filho, o rei de Marrocos Hassan II, os reis de Espanha, o presidente francês François Mitterand e a rainha Elisabeth II da Grã-Bretanha, Pinochet do Chile, Tarek Aziz, ministro do Exterior do Iraque de Saddam Hussein e outros tantos chefes de Estado. Mas encontrou-se também com o Dalai Lama, o Patriarca de Constantinopla, o Rabino-Chefe de Roma Toaff. Foi o o primeiro Papa da história da Igreja a entrar numa sinagoga, como o primeiro a visitar uma mesquita muçulmana. Nessas oportunidades, pediu perdão das rivalidades ao longo da história entre católicos e judeus e entre católicos e muçulmanos.

O Papa Woityla esteve em 1995 na sede das Nações Unidas em Nova York, no Parlamento europeu em Strasburgo em 1998, no Parlamento polonês em 1999, no Parlamento italiano (o 1o. Papa!) em 2002. Em seus gestos de paz em favor do homem, peregrinou nos lugares de fé e de sofrimento deste mesmo homem, como os santuários marianos do mundo inteiro, os campos de concentração e extermínio nazistas, Jerusalém e Sarajevo, os quarteirões mais pobres, como as favelas do Rio, o leprosário de Calcutá e a colina das cruzes da Lituânia, um marco histórico de indizíveis sofrimentos, que o Pontífice em 1993 atravessou em silêncio.

Entre os gestos humanos do Papa polonês que ficarão na história está o Dia do Perdão, que ele instituiu no dia 12 de março de 2000, no Grande Jubileu, para proclamar alguns "Nunca mais!" em nome da Igreja Católica, purificando sua memória, pedindo perdão das culpas cometidas pelos homens da Igreja de Roma ao longo dos séculos no Milênio que estava terminando, para assim poder entrar no novo milênio com o perdão do Grande Jubileu.

É o Papa dos gestos humanos de ir ao encontro do homem e, numa nova Quinta-feira Santa, lavar os pés do mundo, amando-o até o fim, como fez o Cristo - conclui a jornalista Rosanna Consolo.

data do artigo: 25/01/2005

voltar