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Santa Joana Beretta Molla

Com o título específico de "Mãe de família" no domingo 16 de maio, o Santo Padre João Paulo II canonizou, isto é, inseriu na lista dos Santos e propôs à imitação dos fiéis do mundo inteiro, a beata Joana Beretta Molla, heróica Mãe, que morreu para salvar a vida de sua quarta filha nascitura.

"Gianna", como era chamada em casa, nasceu em 4 de outubro de 1922 em Magenta, na arquidiocese de Milão, Norte da Itália, numa família de 13 filhos. Quando estudava medicina em Pavia, era responsável pela Ação Católica de Bérgamo e depois da de Milão. Quando estudante, seu irmão, médico e capuchinho, foi enviado como missionário para o Brasil. Em Grajaú, no Maranhão, fundou um hospital e escrevia à irmã, que muitas crianças morriam, à falta de um médico pediatra. Por esse motivo, Joana optou por essa especialidade, pensando em vir para o Maranhão, como missionária leiga, ajudar o irmão. O bispo de Bérgamo não lhe permitiu partir para o Brasil como missionária pela sua saúde frágil. Formou-se em medicina em Pavia e se especializou em pediatria em Milão. Em 1954, no ano mariano, foi a Lourdes pedir a Nossa Senhora que a ajudasse na escolha da sua vocação. De volta à Itália, numa ordenação sacerdotal, conheceu o engenheiro Pietro Molla, com o qual veio a casar-se em setembro de 1955. Teve três filhos que ela adorava e era toda sua alegria. Grávida pela 4ª vez, foi descoberto um fibroma em seu útero. O médico, Dr. Vitali, advertiu que se não extraisse logo o feto, ela morreria. Joana como verdadeira mãe cristã, pondo a mão sobre o ventre, asseverou com coragem evangélica, digna de uma Santa: "Cuidem de meu neném, que Deus cuidará de mim". Não admitiu que se fizesse nada contra a filhinha nascitura. Chegado o momento de dar à luz a criança, Joana fez seu marido jurar que, depois que ela fosse anestesiada, nada seria feito que resultasse na morte do bebê. Na maternidade de Monza, o irmão de Joana, Dr. Ferdinando, realizou o parto cesariano Era sábado santo, 21 de abril de 1962, quando nasceu Joana Emanuela, sua quarta filhinha. Sete dias depois, no dia 28, Joana morria em casa, em seu leito de esposa. Suas últimas palavras: "Jesus, eu te amo! Jesus, eu te amo!" A filha, Joana Emanuela, nascida do heroismo da Mãe, anos mais tarde, testemunhava: "Querida Mamãe, obrigada por ter-me dado a vida duas vezes: quando m e concebeu e quando me permitiu vir ao mundo, com o sacrifício de sua própria vida, defendendo a minha." Seu esposo exclamava: "Gianna, você foi uma criatura esplêndida, a amada do meu coração, o amor de minha vida do Cântico dos Cânticos, a mãe feliz e sábia de nossos filhos, que procurou para cada ação a vontade de Deus através da oração e da Eucaristia."

Na beatificação de Joana, em 1994, caso único na história da Igreja, estavam presentes na Praça de S. Pedro, em Roma, seu esposo e suas quatro filhas. Encontrei-as no Rio de Janeiro, em 1997, no Encontro Mundial das Famílias com o Papa e falei com uma delas, não me lembro qual.

O primeiro milagre para sua beatificação aconteceu no próprio hospital de Grajaú, fundado por seu irmão e foi em favor de uma mãe da Igreja evangélica, chamada Lúcia, desenganada dos médicos, após o nascimento de um filho. A religiosa, diretora do Hospital, diante do veredicto dos médicos, convocou as religiosas exclamando: "Vamos rezar para a irmã de Frei Alberto, que se chamava Joana." Rezaram com fervor, suplicando a intercessão de Joana naquele caso desesperado. No dia seguinte, 9 de novembro de 1977, inexplicavelmente, a mulher acordou em perfeita saúde, sem sombra da doença mortal, de que fora acometida. O milagre foi reconhecido para a causa de beatificação. Agora, para a canonização, foi também no Brasil que aconteceu o milagre reconhecido pela Congregação da Causa dos Santos. Foi na diocese de Franca, cujo bispo é Dom Diógenes, que recorrendo à Beata, salvou a vida de uma criança marcada quatro vezes pelos médicos para ser extraída. A gestação foi levada normalmente até o fim, contra todas as previsões e a criança nasceu perfeita, batizada por Dom Diógenes com o nome de Gianna Maria.

O Card. Martini, então arcebispo de Milão, asseverava da Beata Joana Molla: "Ela foi perfeita em tudo, como mãe, como profissional, como médica, ou seja, uma católica consciente de sua vocação de mãe e de sua profissão de médica."

data do artigo: 21/05/2004

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