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São Lourenço e os diáconos

Terça-feira passada, dia 10 deste mês, a Igreja celebrou a festa do diácono e mártir São Lourenço. Ele era diácono da Igreja de Roma e trabalhava com o Papa Sixto II na administração dos bens da Santa Sé. Conta-se que o imperador Valeriano, um dos grandes perseguidores dos cristãos de Roma, teria exigido dele a entrega de todos os bens da Igreja. Ele pediu quatro dias de prazo e distribuiu todos os bens da Igreja entre os pobres de Roma, apresentando-os depois ao perseguidor como os "grandes bens" da Igreja. Com ousadia e vigor, foi martirizado em 258,, quatro dias depois do Papa Sixto II. A tradição guardou a forma de seu martírio como tendo sido assado numa grelha, que toda a sua iconografia transmitiu. Seu túmulo se conserva ainda hoje em Roma, na Via Tiburtina, onde Constantino Magno erigiu uma basílica em sua honra no século IV.

Assim, o dia 10 de agosto é o Dia do Diácono Permanente. Quando no Brasil estamos celebrando o mês de agosto como o mês das vocações, pareceu-me oportuno fazer algumas reflexôes com meus leitores sobre a vocação diaconal.

DIÁCONO significa "servidor". O Diácono é o clérigo que se coloca na Igreja a serviço da Palavra e da Caridade. Ele é o anunciador oficial da Palavra de Cristo na Sagrada Liturgia. Em qualquer celebração litúrgica, seja qual for o Presidente, cabe-lhe anunciar o Evangelho. No serviço da caridade, ele encontra seu campo específico. Na administração dos bens da paróquia ou da diocese, com sua experiência no trato dos negócios do mundo, o Diácono se constitui auxiliar precioso e insubstituível. Todas as paróquias deveriam poder contar com um Diácono, de confiança e competência, a quem o pároco possa entregar a administração ordinária dos bens paroquiais, naturalmente dentro de uma comissão de assuntos econômicos, da qual o pároco é o presidente nato, e o Diácono fiel e sábio executor das decisões tomadas pela comissão e diante da qual prestará contas oportunamente. O serviço da caridade é exercido em múltiplas outras atividades, sobretudo as de cunho social, como a assistência às crianças carentes, às famílias faveladas, aos sem-teto da paróquia e assim por diante.

Na pastoral matrimonial, o Diácono tem o privilégio exclusivo de unir ao estado clerical, junto com o Sacramento da Ordem, também o santo sacramento do Matrimônio e assim viver a realidade da vida em família juntamente com a celebração dos santos mistérios da Palavra e da Eucaristia. Por isso, sua participação nesta pastoral tem caráter todo próprio pela união dessas duas experiências pastorais, a de clérigo e a de pai de família.

A restauração do diaconato permanente foi um dos maiores tesouros que o Concílio Vaticano II concedeu à Igreja de nossos dias. Hoje eles são cerca de 1200 em todo o Brasil. A Arquidiocese de Maceió conta com 24 diáconos, ainda o maior número do Regional. Caicó tem 10 diáconos. Na Arquidiocese de Olinda-Recife, já são 8 os diáconos, sendo 6 ordenados por Dom José Cardoso Sobrinho nesses últimos dois anos, com excelente preparação em curso de três anos, muito bem elaborado e montado pela Comissão de Pastoral.

Neste dia do Diácono, quero enviar minha saudação afetuosa a todos os meus filhos diáconos de Maceió e de todo o Nordeste II, dos quais sou o bispo referencial.

data do artigo: 11/08/2004

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