No caminho da santidade, encontraram-se essas duas figuras de ação tão diferente no mundo dos homens. A mística alemã Catarina Emmerick (1774-1824) e o imperador Carlos I, da Áustria (1887-1922) foram declarados beatos nesse último domingo, 3 de outubro, na mesma cerimônia no Vaticano, em que foi também beatificado o Pe. Vigne, fundador das Irmãs Sacramentinas.
Catarina Emmerick já era bem conhecida do povo cristão pelos seus escritos sobre a Paixão de Cristo, cujos sagrados estigmas ela trazia impressos em seu corpo e recebeu inúmeros carismas extraordinários, com os quais consolava as muitas pessoas que a visitavam. Entre esses, o fato assombroso de que desde 1813 até à morte, ocorrida onze anos depois, imobilizada num leito de doente, ela se alimentava exclusivamente da Sagrada Comunhão. Tudo foi devidamente examinado e investigado num longo e aprofundado processo na exigente Congregação para as Causas dos Santos, presidida pelo Cardeal português José Saraiva Martins.
Durante a vida de Emmerick, um abalisado escritor alemão, Clemens Brentano, ouvindo o que dela se dizia, ficou curioso de conhecê-la pessoalmente. Sem fé, em contacto com Catarina, ele converteu-se à fé católica e permaneceu .à cabeceira de seu leito de 1818 a 1824, escrevendo tudo o que a mística vidente ia lhe revelando sobretudo sobre a Paixão de Jesus. Após sua morte, Brentano recolheu os dados de suas divinas revelações no livro "A amarga Paixão de Jesus", que tornou Emerick conhecida no mundo todo.
Um processo que durou 50 anos, finalmente se concluiu elevando às honras dos altares, como se costuma dizer, o Imperador da Áustria, Carlos I. Um dos fatos marcantes da biografia do Imperador Beato foi sua frase à princesa Zita de Bourbon no dia de suas núpcias: "Agora, devemos nos conduzir um ao outro rumo ao céu." Dessa santa união matrimonial, toda vivida no amor e na fidelidade, nasceram oito filhos. Carlos assumiu o trono de Viena, capital do Império Austro-húngaro, em 1916, em plena 1a Guerra Mundial, sucedendo ao Imperador Francisco José, o rei-sacristão. Fomentou a justiça e a paz, nutrindo uma constante busca da santidade, diz um seu biógrafo, acrescentando: foi exemplar como cristão, marido, pai e soberano. Desfeito o império, composto pelas duas potências, a Áustria foi dominada pelos comunistas, e Carlos se exilou na Ilha da Madeira, colônia portuguesa, onde, coberto de méritos, faleceu em 1922.
Deixou o testemunho de que a santidade é possível em todos os ambientes sociais, no tugúrio dos pobres como no palácio dos reis.
