Em 1965, fez furor uma película cinematográfica de Stanley Kraemer, de enredo trágico, intitulada "A Nau dos Insensatos". Agora temos, não mais em ficção cinematográfica, mas numa triste e cruel realidade, aquela que eu gostaria de chamar "A Nau das Assassinas".
Trata-se, de acordo com um artigo da revista VEJA, de um barco, alugado por uma organização não-governamental abortista de origem da Holanda, país onde o aborto é permitido por lei, que pretende navegar pelo mundo para promover abortos nos países onde eles são proibidos. A tripulação é composta, além, como é óbvio, dos marinheiros responsáveis pela navegação, de ginecologistas, enfermeiras, psicólogos e, sobretudo, advogados, que são os que terão mais trabalho ao enfrentar as leis dos países visitados.
A ONG que patrocina essa ação contra a vida chama-se "Women on Waves" (Mulheres sobre as ondas) e foi fundada pela ginecologista holandesa Rebecca Gomperts. O estratagema criminoso funciona assim: a embarcação comunica sua chegada às autoridades dos países a serem visitados, mas a imprensa só é avisada na última hora, para evitar manifestações de rua contra as abortistas. Chegado o navio ao porto, a equipe médica dá atendimento ginecológico às mulheres que a procuram. Aí identificam as que desejam abortar. Pelas normas internacionais da navegação, um navio ancorado num porto está sujeito às leis daquele país, mas uma vez em águas internacionais, isto é, a 12 milhas da costa (cerca de apenas 22 quilômetros) o barco passa a ser sujeito às leis de sua bandeira. No caso, o navio, sendo holandês, está sujeito às leis da Holanda onde o aborto é permitido. Assim sendo, as mulheres que desejam abortar, quase sempre pessoas de baixa renda, embarcam na Nau das Assassinas e em alto mar, em águas internacionais, é consumado o delito de tirar a vida inocente das criancinhas, a quem é negada o sacrossanto direito de nascer.
A Nau das Assassinas já esteve na Polônia, onde, apesar de violentas manifestações de rua anti-abortistas, realizaram doze abortos. Na Irlanda, outro país visitado, nenhum aborto criminoso pôde realizar-se, graças à reação que foi mais violenta. Seu próximo destino é a África. Também o Brasil está na mira das abortistas.
A classe médica internacional consciente tem uma grave objeção contra essa prática. Os ginecologistas dão uma assistência emergencial às mulheres que querem abortar, mas, realizado o aborto, elas voltam ao seu país de origem e ficam na dependência do sistema de saúde local. Tratando-se de pessoas, quase sempre desprovidas de recursos financeiros, como fica a assistência médica pós-aborto? Como serão socorridas em caso de complicações subseqüentes à ação abortiva? A Organização Mundial da Saúde calcula que mais de 80.000 mulheres morrem todos os anos nos países sub-desenvolvidos, em conseqüência de abortos ilegais. No mundo, são 50 milhões de abortos anuais, sendo 20 milhões deles nos países, onde ele ainda é ilegal. No Brasil, estima-se que são realizados por ano 1 milhão e meio de abortos clandestinos.
A doutrina cristã permanece em sua defesa irrestrita da Vida, condenando o aborto, como crime nefando, praticado contra um inocente (o feto) que não dispõe de nenhuma defesa, pela geratriz da vida (a Mãe), no sacrossanto local da origem da vida (o útero materno). Crime horrendo, que brada aos Céus e clama pela vingança de Deus!
