Sem sombra de dúvida, uma das melhores formas que temos de honrar Nossa Senhora é meditando os mistérios de seu santo Rosário, de modo todo particular neste ano, o Ano do Rosário, promulgado pelo Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica, de 16 de outubro do ano passado, Rosarium Virginis Mariae. Esta Carta brotou do coração profundamente mariano do Papa Wojtyla, que consagrou a Maria seu ministério petrino, com a expressão “Totus tuus” – Todo teu, referindo-se à Virgem Maria, estrela de seu pontificado, que completa 25 anos neste ano.
Mas, venerando a Virgem das Alegrias, devemos no Rosário meditar, para poder viver, os mistérios gozosos, que qualificam o título de Maria como a Senhora dos Prazeres, Padroeira da cidade e da Arquidiocese de Maceió, onde vivi 16 anos e meio. Esses mistérios celebram a alegria, que irradia do acontecimento da Encarnação do Verbo Eterno, que se fez homem para nossa salvação. Desde o anúncio do Anjo a Maria com a anuência da Virgem de ser Mãe, preservando sua virgindade, de ser Mãe do Filho do Altíssimo, daquele que haveria de ocupar o trono de Davi, seu pai, e cujo reino se estenderia de um polo ao outro do mundo e não teria fim – vai a primeira alegria da Virgem dos Prazeres. Diante de toda essa estarrecedora mensagem do Anjo, Maria, uma vez conhecida que era essa a vontade do Deus soberano, para quem nada é impossível, responde ao Anjo, humilde e na obediência da fé: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra.” Isso diz-nos Lucas no 1o. capítulo de seu Evangelho, e João no prólogo do 4o Evangelho, conclui: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
A segunda alegria de Maria está no serviço prestado à sua prima, pobre, grávida em idade avançada, sozinha, nos últimos meses da gravidez. E Maria tem a grande alegria de servir, ela que é a Mulher de fé, aquela que acreditou, como disse Isabel, ao receber a “Mãe do meu Senhor!”. E ela prorrompe no hino de ação de graças e reconhecimento a Deus, que é o seu “Magnificat”. “Olhou para a pequenez de sua serva e eis que de agora em diante todas as gerações vão me chamar de bem-aventurada” – canta Maria ao Senhor. E continua: “Depôs dos tronos os poderosos e exaltou os humildes; encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”.
Sua maior alegria, porém, foi dar à luz, na humilde gruta de Belém, o Verbo feito carne, “envolvido em paninhos” e reclinado num presépio, anunciado pelos Anjos, adorado pelos humildes pastores e presenteado pelos Magos, que vieram pelo caminho do Oriente.
No tempo previsto pela lei, ela vai ao Templo com alegria, purificar-se da mancha legal do parto e apresentar, com José, o Menino ao Senhor, oferecendo um par de rolinhas, tudo conforme a lei de Moisés. Mas encontra aí, em meio àquela alegria, o velho Simeão que, tomando o Menino nos braços, exulta por ver cumpridas as promessas do Senhor para a salvação de seu povo, mas ao mesmo tempo, anuncia a Maria que uma espada de dor lhe traspassará o coração para que sejam revelados os pensamentos de muitos (?). Maria não entendeu. Quando o Menino Jesus completa 12 anos, depois de três dias de angustiosa busca, encontra-o no Templo (é alegria!) discutindo com os doutores da Lei e, admirada, lhe faz a dolorosa pergunta: “Filho, por que fizeste isso conosco? Eis que teu pai e eu, aflitos te procurávamos.” Mais uma vez não entendeu a resposta de Jesus: “Não sabíeis que devo me ocupar das coisas de meu Pai?” Mas guardava tudo isso, meditando em seu coração..
Dai-nos, Senhora, viver na terra as vossas alegrias, para um dia podermos gozar convosco da perene alegria do céu.
