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Outros símbolos natalinos

Continuando a resenha dos mais populares símbolos do Natal, começada no artigo anterior, vamos hoje examinar mais alguns. Comecemos pela chamada Missa do Galo. A liturgia determina para a Solenidade do Natal, além da missa da vigília, três missas. Uma, à noite, outra, na madrugada, a Missa dos Pastores, e a terceira, "No Dia", que deveria ser a mais solene e é propriamente a missa da solenidade do Natal. A antiga Igreja de Roma seguiu, nisto, o venerável exemplo da Igreja de Jerusalém. Os fiéis se reuniam à noite, em Belém, na gruta da Natividade, e santificavam com a celebração da Eucaristia a hora do nascimento do Senhor. Terminada a missa, voltavam para Jerusalém, para celebrar a missa dos pastores. Em Roma, celebrava-se a missa da noite na igreja de S. Maria Maior, considerada a Belém dos romanos, por nela se guardarem os restos da manjedoura, onde teria nascido Jesus. A missa da noite é a missa da Luz. O dia da festa foi escolhido no solstício do inverno, para suplantar a festa pagã do deus Sol, substituindo-a pela festa cristã do nascimento de Cristo, o verdadeiro Deus Sol, que vence as trevas. A tradição popular, porém, chama a missa da noite de "Missa do Galo". A razão que alguns dão é que esta missa era chamada antes a Missa da Vigília do Canto do Galo, porque o canto do galo anuncia que as trevas da noite estão dando lugar à luz do novo dia, como o Sol Jesus com seu nascimento traz a luz verdadeira para a humanidade.

O presépio é emotiva e comovente criação do grande S. Francisco de Assis. No Natal de 1224, na pequena cidade italiana de Greccio, ele preparou uma manjedoura, com palha de feno, com um casal, uma criança e três homens do lugar, representando os Reis Magos, um burrinho e um boi. São Francisco passou a noite santa em oração, diante dessa imagem viva de Jesus, que se fez criança por nosso amor e que tanto falava ao seu coração de místico, de poeta e de santo. Convidando as pessoas do lugar para acompanhá-lo nessa contemplação viva do nascimento de Jesus, em breve se difundiu o costume, que hoje é um dos símbolos mais característicos do Natal cristão.

Os presentes. Jesus é o supremo presente do Pai à humanidade. Já lembramos aqui a expressão de Jesus a Nicodemos, apresentando-se como o dom, prova de amor do Pai ao mundo ( Jo 3,16). E os Magos trouxeram presentes simbólicos ao Menino, Deus, Rei e verdadeiro Homem. Nós trocamos os presentes de Natal numa arraigada tradição em homenagem ao Dom, que nos fez o Pai. Em alguns países, essa troca de presentes é feita exatamente no dia 6 de janeiro, festa dos Reis Magos. No Japão, país de cultura budista, ou melhor, agnóstica, trocam-se presentes no mês de agosto, mês de muito calor, mês das férias escolares e da realização das festas populares com muitos shows de fogos de artifícios.

Os cartões são forma tradicional de demonstração de amizade, muito difundida nesta época do ano. Tem um sentido da alegria natalina, do compartilhar o júbilo do Natal do Senhor. Informa a revista "Família Cristã" que esta tradição teria sido iniciada pelo artista gráfico inglês de nome John Horley que em 1843 teria enviado ao seu amigo Henry Cole um cartão ilustrado de uma cena familiar com a inscrição "Feliz Natal e próspero Ano Novo" que ficou quase a "marca registrada" de todos os cartões enviados pelo mundo afora. Há quem afirme, porém, conforme a revista citada, que a tradição dos cartões natalinos começou com um conde italiano há três séculos atrás.

Os dois hinos mais populares do Natal, mundialmente famosos, são certamente Noite Feliz e Tannenbaum, ( O Pinheiro) ambas de origem germânica. "Noite Feliz" foi escrita na noite de Natal de 1818 pelo padre austríaco Joseph Mohr, enquanto esperava a hora de ir celebrar a Missa do Galo. Foi musicada pelo conhecido compositor e organista Franz Gruber. Executada em 1840 pelo Coro Real de Berlim, foi traduzida para o inglês e daí rapidamente difundida para todo o mundo. O original alemão significava Noite silenciosa, e já está traduzido para mais de 80 idiomas, naturalmente com pequenas alterações.

As luzes da cidade e sua ornamentação natalina rapidamente se incorporaram à tradição das grandes e das pequenas cidades, que homenageiam o Sol invicto, a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo.

data do artigo: 25/12/2003

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