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25 anos de papado

"Protagonista-chave do cenário mundial" - é como a imprensa internacional está definindo o Papa Wojtyla - "que marcou com seu carisma e sua forte personalidade os rumos da Igreja neste quarto de século" e que nesta quarta-feira, 22, celebrou suas Bodas de Prata de início solene de pontificado, colocando-se já como um dos quatro mais longos da história da Igreja: São Pedro (o mais longo, sem segurança histórica), Beato Pio IX, 32 anos, Leão XIII, 25 anos, já igual a João Paulo II.

Impossível definir, nas dimensões de um artigo, a figura de grandeza incomensurável do primeiro papa polonês. Vou apenas indicar um livro, que traça com profundidade e competência seu papel na história da Igreja de nossos dias, e esboçar alguns dos mais salientes aspectos da grandeza ímpar de seu glorioso pontificado.

A obra que recomendo é "SUA SANTIDADE - João Paulo II e a história oculta de nosso tempo" - Editora Objetiva, 1996 - dos jornalistas Carlos Bernstein, famoso pelo caso Watergate e Marco Politi, respeitado vaticanista italiano. Em estilo leve, agradável, jornalístico, suas 590 páginas vêm abundantemente documentadas, indicando as fontes página por página. É leitura obrigatória para quem quiser conhecer a ação de João Paulo II no mundo de hoje. Para os que desejam algo mais simples, eu indicaria "O PAPA QUE VEIO DE LONGE" edições Paulinas, de J. Alves, que trata mais da transição de Paulo VI e João Paulo I para chegar ao 3° papa de 1978, operário, ator, poeta e papa. Finalmente, como obra sua, é indispensável conhecer "O LIMIAR DA ESPERANÇA", sua longa entrevista a Vittorio Messori, publicada no Brasil pela Livraria Francisco Alves. em 1994, que revela com autenticidade seu pensamento sobre os grandes problemas da Igreja e do mundo em nossos dias.

Resumiria assim sua figura de Pontífice:

Pastor intrépido - sem buscar o aplauso dos homens, João Paulo II vem enfrentando apostolicamente os erros de nosso tempo, sem poupar críticas contundentes aos totalitarismos de todos os tipos, aos erros morais em moda e aos desvios da fé, recebida dos Apóstolos, com a missão petrina de confirmar os pastores da Igreja

Missionário infatigável - com suas mais de 102 viagens pastorais ao redor do mundo, anunciando o Evangelho de Jesus a todas as nações (mais de 128), percorrendo mais de um milhão de quilômetros, além das 144 visitas às dioceses da Itália e às paróquias de sua diocese de Roma.

Mestre da fé - com suas 14 encíclicas, cartas apostólicas, exortações pós-sinodais, sua catequese nas audiências das quartas-feiras (que já foram mais de mil) e sua mensagem do Angelus aos domingos na Praça de S.Pedro aos 16,77 milhões de peregrinos, que já o ouviram, vindos de todas as nações da terra e professando as mais variadas religiões. A todos impressiona sua acendrada devoção a Nossa Senhora, a quem se consagrou com seu mote "Todo Teu".

Aberto ao diálogo - um papa realmente ecumênico, o primeiro da história da Igreja, que visitou a Sinagoga de Roma e uma Mesquita em Damasco, na Síria. O primeiro que reuniu líderes das maiores religiões do mundo para orar juntos pela paz em Assis, sem falar das freqüentes visitas que recebe dos líderes anglicanos e orientais, separados de Roma.

O Papa da família - defensor intrépido dos direitos da família como instituição divina, célula da sociedade e da Igreja, em sua pureza original, como o Criador a constituiu pelo amor mútuo dos esposos e na santidade de sua origem divina. Por isso, João Paulo se posiciona sempre contra o divórcio e tem sido ardoroso e intransigente defensor da vida, sobretudo a não-nascida ainda e contra o aborto e a limitação artificial da natalidade.

O Papa da juventude - que arrasta multidões de jovens, que o escutam com amor e reverência em seus encontros internacionais e no Vaticano.

Sofredor no corpo e no espírito - pelas múltiplas cirurgias pelas quais já passou desde o atentado de 13 de maio de 1981 e os sofrimentos morais pelos problemas internos da Igreja, notadamente pela resistência de grupos de teólogos ao seu ensinamento, sempre fiel ao Evangelho e ao Concílio Vaticano II.

Esse é o Papa que a Igreja inteira venera e o mundo aplaude nestes felizes vinte e cinco anos de serviço apóstolico para a Igreja e o mundo.

data do artigo: 24/10/2003

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Dom Edvaldo G. Amaral, SDB

Arcebispo emérito de Maceió

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