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Paulo VI e Maria

Como neste mês de agosto, no dia 6, estaremos celebrando os 25 anos da entrada na Patria celestial do grande Paulo VI, tendo eu sido eleito bispo por ele, pensei em reunir num artigo os dois temas: Maria e o Papa Montini.

Duas encíclicas e duas exortações apostólicas encerram o principal ensinamento de Paulo VI a respeito da Virgem Maria. Na verdade, todo o solene magistério do grande Pontífice desenvolveu-se em apenas sete encíclicas, dos meados de 1964 à metade de 1968. O Papa faleceu em 1978, dez anos após sua última encíclica Humanae Vitae, que tanto havia contrariado os “avançados” da Igreja e foi chamada de “retrocesso” pela cultura laica. Algo de parecido acontecera um ano antes, com sua encíclica Sacerdotalis coelibatus de 24/06/1967. Foram fonte de muito sofrimento espiritual para o “Papa angustiado”. A Populorum Progressio de 36/03/1967, havia lhe granjeado aplausos de todos os setores da Igreja.

A primeira encíclica mariana de Paulo VI foi a Mense Maio sobre o mês de Maria, com data de 29/04/1965. Ensina o documento pontifício: “Todo encontro com Maria, vem a ser um encontro com o próprio Cristo”. Naqueles anos, em que pesava sobre o mundo ameaçadoras nuvens de uma nova guerra e o caráter sagrado e inviolável da vida humana era desprezado, o Papa recorre à intercessão e proteção da Virgem Maria, a Rainha da Paz, e lembra que Maria foi constituída ministra e dispensadora dos tesouros da misericórdia divina.

A outra encíclica mariana de Papa Montini foi a Christi Matri (Da Mãe de Cristo) datada de 15/09/1966. Citando S. Irineu, a encíclica recorda que “Maria se tornou causa de salvação para todo o gênero humano e, por isso, nada de mais importante e oportuno do que elevar ao céu as súplicas de toda a cristandade para a Mãe de Deus, invocada como Rainha da Paz a fim de que, em meio a tantas angústias, Ela nos conceda os dons de sua bondade materna.” E na oração final, diz o Pontífice: “Ó Virgem Santa, volve teu olhar materno para todos os teus filhos. Vê a ansiedade dos pastores sagrados, a angústia de tantos pais e mães de família, inquietos pela própria sorte e pela de seus filhos. Abranda o ânimo dos beligerantes e lhes infunde pensamentos de paz. Faze com que Deus, o vingador de toda injustiça, restitua aos povos a tranqüilidade e os conduza por longo tempo à verdadeira prosperidade”.

Mas o texto mais significativo do grande amor e da profunda devoção a Maria do “Papa pensativo”, nós vamos encontrar no “Credo do Povo de Deus”, que ele promulgou no encerramento do “Ano da Fé”, em 30 de junho de 1968: Cremos que Maria é a Mãe, permanecendo sempre Virgem, do Verbo Encarnado, nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo. Pelos méritos de seu Filho, Ela foi redimida de modo eminente, preservada de toda a mancha do pecado original e cumulada dos dons da graça, mais que qualquer outra criatura. Associada ao mistério da Encarnação e Redenção por um vínculo indissolúvel, a Imaculada, no termo de sua vida terrena foi elevada à glória celeste em corpo e alma, prefigurando a sorte futura dos justos. Cremos que a Mãe santíssima de Deus, nova Eva e Mãe da Igreja, continua no céu seu ofício materno para com todos os membros de Cristo.

Aí está todo o grande coração mariano do Pontífice do pós-Concílio, de que estamos comemorando os 25 anos de entrada no Paraíso.

data do artigo: 18/08/2003

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