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Pedro e o Papa

No calendário universal, a Igreja celebrou 3ª feira passada, dia 29, a festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, que será comemorada neste domingo, 4 de julho, no calendário litúrgico do Brasil como o Dia do Papa, com o Óbolo de São Pedro, com que os fiéis do mundo inteiro contribuem para a caridade do Papa. Claro que na tradição de nosso povo permanece inalterado o dia 29 de junho, como o Dia de São Pedro Pescador.

Isso mesmo, o pescador da Galiléia, Simão, filho de Jonas, foi um dos primeiros a serem chamados por Jesus para o seguirem, largando as redes, o barco, e talvez também o velho pai e a esposa, dos quais o Evangelho não faz menção alguma, referindo-se apenas à sua sogra, curada por Jesus de uma enfermidade. Mas Pedro reclamou certa vez ao Mestre que ele tanto amava: "Senhor, deixamos tudo e te seguimos, que recompensa teremos?" Jesus lhe havia prometido: "De agora em diante, sereis pescadores de homens!"

Simão Pedro era o escolhido do Cristo para todos os grandes momentos de seu ministério, juntamente com João, o Discípulo amado, e Tiago, primo de Jesus. Os três estiveram na Transfiguração no Monte, na ressurreição da filha de Jairo e, sobretudo, na última agonia de Jesus no Horto. Era Pedro quem mais pedia explicações a Jesus de suas parábolas e perguntou se, perdoando sete vezes, já não era o bastante para não perdoar mais. Era o mais impulsivo de todos, pedindo a Jesus de ir ao seu encontro caminhando sobre as águas, como Jesus fazia e, diante do desafio de Jesus aos Apóstolos: "Não quereis deixar-me também vös?" respondeu com ímpeto: "A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna!" (Jo 6,58). E quando Jesus, depois de ouvir as várias interpretações que o povo dava de sua identidade, perguntou aos Apóstolos: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão, em nome de todos nós, proclamou a fé da Igreja: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" (Mt 16, 16). Jesus respondeu-lhe que esse era um puro ato de fé sobrenatural, haurido não do conhecimento natural mas da graça do Pai. E foi aí que mudou seu nome para Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" - como se dissesse: "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja". E deu-lhe o poder de tudo ligar e tudo desligar na terra para ser ratificado no céu.

Mas Pedro na Última Ceia, como sempre impetuoso, exclamou diante do anúncio da prisão e morte de Jesus: "Senhor, estou pronto a ir contigo à prisão e à morte. Darei a minha vida por ti!" O Mestre, com uma ponta de ironia, respondeu-lhe: "Darás a tua vida por mim? Esta noite, antes que o galo cante duas vezes, tu já me terás negado três vezes. Mas eu roguei por ti, Pedro, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma teus irmãos na fé. (Lc 22, 32)

Esta é a missão de Pedro, feito por Jesus, após sua ressurreição, pastor das ovelhas e pastor dos pastores, depois que três vezes Pedro lhe assegurou seu amor e fidelidade, em reparação da trina negação da noite da Paixão. É o "ministério petrino" exercido ainda hoje pelos sucessores de Pedro: confirmar os irmãos na fé. O Papa, sucessor de Pedro, recebe de Cristo, o Supremo Pastor, a missão de ser pastor dos pastores, os bispos, sucessores dos Apóstolos e de todos os fiéis. Com esta missão, ele exerce o ministério de confirmar na fé os fiéis na fé e confirmar os seus irmãos, os bispos, sucessores dos Apóstolos, como ele o é sucessor do Apóstolo Pedro, pedra e cabeça da Igreja de Jesus no mundo.

Pedro hoje é o nosso querido João Paulo II que, por amor a Cristo e ao rebanho que lhe foi confiado, enfrenta galhardamente a idade e os males da doença que o aflige.

data do artigo: 03/07/2004

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