Ao celebrar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a 4 de maio, Festa da Ascensão, queremos homenagear todos os profissionais da comunicação, oferecendo-lhes a mensagem enviada pelo Papa que publicamos trechos nesta edição. No referido texto, Bento XVI cria um novo termo de real importância: “infoética”, indicando que, assim como acontece com a bioética nas ciências médicas, deve haver também no campo da comunicação uma preocupação específica com a ética que supere a tentação de fazer da notícia, apenas um meio de aumentar lucros ou de ampliar audiências.
Sugerindo a leitura do documento papal, na página 7 desta edição, queremos destacar também alguns pontos da recente viagem do Sucessor de Pedro aos Estados Unidos, pela importância do evento para toda a Igreja. O Papa quis dar àquela viagem missionária um sugestivo tema: “Cristo, nossa Esperança”.
Quando desceu na base aérea Andrews, no dia 15 de abril, não se podia saber qual seria a reação do povo americano ao líder máximo da catolicidade, sobretudo após os problemas vividos pela Igreja, num passado recente, com os erros clamorosos de certos sacerdotes que a envergonharam com um comportamento inadmissível.
Não importava. Ele vinha não para os aplausos, mas para a missão apostólica de um verdadeiro ‘Shepherd One’ (Pastor nº 1), nome dado também ao avião que o transportou. As palavras do presidente Bush, ao recebê-lo no aeroporto, foram significativas: “Aqui na América o Senhor encontrará uma nação que dá as boas-vindas, em praça pública, ao papel da fé... Acima de tudo, Santo Padre, o Senhor encontrará na América pessoas cujos corações estão abertos para sua mensagem de esperança. E a América e o mundo precisam desta mensagem”.
Havia sinceridade nas palavras do presidente, pois ele mesmo havia respondido a um jornalista, dias antes, que quando olha nos olhos do Papa, vê Deus presente.
Encontrando-se com o episcopado em Washington, deu aos bispos coragem e ânimo para prosseguirem seus trabalhos apostólicos, superando os graves problemas vividos, em relação à decepção com certos sacerdotes que traíram vergonhosamente a Igreja. O Pastor universal fortaleceu os bispos para que continuassem a investir numa formação rigorosa dos futuros presbíteros.
Aos presbíteros dignos e fiéis à sua vocação, que constituem a imensa maioria, deu sua palavra-força no sentido de continuarem sua missão sem se deixarem abater por um clima desfavorável e muitas vezes injusto para com eles.
Sobre estes aspectos, comentou padre Lombardi, diretor da Sala de Informações do Vaticano, que foram palavras animadoras “a uma Igreja que viveu um período particularmente difícil nos últimos anos e que tinha muita necessidade de ser consolada e relançada ao porvir...”
O Papa recebeu um grupo das vítimas dos abusos sexuais, dando-lhe o total apoio e necessário amparo espiritual, enquanto condenou categoricamente os erros cometidos por aqueles sacerdotes infiéis. Já havia afirmado antes em entrevista aos jornalistas no avião, que os verdadeiros culpados seriam excluídos do clero e que a Igreja, positivamente, não admite padres pedófilos.
No encontro com as Universidades Católicas, talvez o centro da mensagem esteja neste trecho: “A identidade de uma Universidade ou de uma Escola católica não é simplesmente uma questão de números de alunos católicos. É uma questão de convicção - acreditamos realmente que somente no mistério do Verbo encarnado se torna verdadeiramente claro o mistério do homem? (cf. Gaudium et spes, 22)”.
Na visita à ONU, ressaltou os inalienáveis valores da instituição no que tange promover a concórdia entre as nações, a superação de conflitos, a busca conjunta do bem comum e a defesa dos direitos humanos. Sobre este ponto, disse: “No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a necessidade da solidariedade global é mais urgente do que nunca...”. “A promoção dos direitos humanos permanece a estratégia mais efetiva para eliminar desigualdades entre países e grupos sociais, e para aumentar a segurança... O mérito da Declaração Universal é que tem permitido a diversas culturas, expressões jurídicas e modelos institucionais a convergir um fundamental núcleo de valores, e, portanto, de direitos”.
Um dos momentos mais fortes foi, sem dúvida, o encontro com os jovens, no Seminário de Nova York, destacando a necessidade de a juventude não se deixar levar pelos enganos do relativismo que compromete a busca objetiva da verdade. O Papa que viveu sob os horrores do nazismo e presenciou a opressão do totalitarismo comunista, partilhou a experiência de seus anos de juventude que, como disse, “foram arruinados por um regime funesto que pensava ter todas as respostas; sua influência cresceu - infiltrando-se nas escolas e nos organismos civis, assim como na política e inclusive na religião - antes que se pudesse perceber claramente que era um monstro... Declarou Deus como proscrito, e assim se fez cego a tudo que é bom e verdadeiro”.
O Santo Padre celebrou duas missas com as multidões, ambas com os estádios super lotados, a primeira em Washington, no Nationals Stadium e a outra em Nova York no estádio de beisebol dos Yankees. Nessas liturgias, quis encher de ardor os católicos, leigos e ordenados, a prosseguirem na busca de vivenciar sempre mais intensamente o Evangelho do Senhor, ensinando que isso “significa superar toda separação entre fé e vida, opondo-se aos falsos evangelhos de liberdade e felicidade”.
Ao se despedir no dia 20, o Papa deixou atrás de si uma Igreja renovada que soube enfrentar as difíceis situações com espírito de fé e esperança, e prosseguir o caminho, movida pela força que vem do alto, na alegria de saber que o bem sempre prevalece onde Deus está presente.
Talvez uma frase de São Paulo ilustre bem o resultado feliz desta viagem apostólica: “Não vos deixeis vencer pelo mal, mas, antes, vencei o mal pelo bem” (Rom 12,21).
Certamente há uma mística profunda, uma resposta amorosa do Ressuscitado à Igreja presente nos EEUU, na forma com que o Papa concluiu sua peregrinação, ao subir as escadas do avião: “God bless America!” (“Deus abençoe a América!”).
(O Papa) quis encher de ardor os católicos, leigos e ordenados, a prosseguirem na busca de vivenciar sempre mais intensamente o Evangelho do Senhor.
O Papa deixou atrás de si uma Igreja renovada que soube enfrentar as difíceis situações com espírito de fé e esperança.

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