Na semana que finalizamos, três fatos marcantes emergiram como expressivos sinais de vitórias na luta em favor da vida, contra investidas da cultura da morte, do desprezo da ética e do descuido com a dignidade humana.
O primeiro foi quando a 13ª Conferência Nacional da Saúde (CNS), reunida em Brasília, dos dias 15 a 18, com participação de mais de três mil delegados do Brasil inteiro, desaprovou a legalização do aborto, o que o Ministério da Saúde, com sua incompreensível campanha a favor do aborto por qualquer razão, não esperava. A posição da maioria dos membros é bastante significativa, pois se trata de uma Conferência laica, sem vínculo com nenhuma corrente religiosa, embora dela participem pessoas de vários credos, da forma que é constituído o povo brasileiro.
É, contudo, no mínimo curioso que abortistas inconformados tentem justiçar, relegando o fato à influência dos católicos, ou pessoas de outras correntes religiosas defensoras da vida. É preciso ficar claro que o assunto foi discutido com isenção de ânimos, de forma razoável, como afirmou o próprio presidente da CNS, Francisco Batista Junior. A maioria na CNS optou livremente pela vida e sua opinião naturalmente terá peso nos órgãos deliberativos, uma vez que estamos num País democrático. Durante a CNS ficou claro que, na campanha abortista, a ausência proposital do termo aborto, e sua substituição por eufemismos como interrupção da gravidez ou outros termos, resulta em engano para a maioria das pessoas, pois quando se fala de aborto a compreensão é imediata e direta o que não acontece muitas vezes com os eufemismos. É preciso trabalhar com transparência, pois a substituição dos termos exatos não modifica a gravidade do fato, mas apenas camufla o problema e não é boa medida governar por ilusão.
O segundo caso noticiado na semana foi o de Marcela, a menina anencéfala de Patrocínio Paulista, que completou um ano de vida, desafiando previsões médicas. A mãe havia sido aconselhada por médicos a interromper a gravidez no quarto mês, porque tinham certeza da morte imediata da criança. A mãe, Cacilda Galante Ferreira, por sua convicção de fé cristã, se recusou a fazer mal à sua criancinha e decidiu acolher com amor seu nascimento, disposta a dela cuidar da forma que viesse, sã ou doente, perfeita em seu físico ou não. Recentemente, interpelada por um jornalista, a mãe, com louvável maturidade humana e espiritual, declarou: “não me arrependo de nada. Cuido do meu anjinho como se fosse normal. Vai ser assim até quando Deus quiser”.
Atualmente, alguns médicos chegaram a julgar que o seu problema poderia não ser anencefalia, mas outro tipo de malformação cerebral. Mas, se isto fosse comprovado, o perigo de aconselhar o abortamento em caso de anencéfalos seria ainda mais grave, uma vez que este possível diagnóstico só teria sido encontrado após um ano de vivência da criança. Porém, a mídia já noticiou que precisos exames realizados nestes últimos dias comprovam o diagnóstico de anencefalia (cf. A Folha, 22/11/07 –C6).
Ao completar seu 1º aniversário, Marcela continua respirando normalmente, se alimentando, chora, sente dor, reage a estímulos, afinal vive como qualquer outro ser humano, dentro dos naturais limites de seus problemas.
O terceiro caso foi a notícia da comunidade científica a respeito de células-tronco tiradas da pele de adultos, com resultados tão favoráveis como as células embrionárias, o que indica serem desnecessários procedimentos que causem a morte dos embriões humanos. Tendo a descoberta sido realizada por cientistas japoneses e norte-americanos, o Presidente Bush comemorou com entusiasmo, reafirmando seu incentivo ao avanço científico dentro dos limites éticos. Da parte da Igreja, o Cardeal Rigali, Presidente do Comitê de Atividades Pró-vida, da Conferência Episcopal, assim se expressou: “Agradeço aos cientistas que assumiram o desafio de encontrar formas moralmente aceitáveis de realizar a pesquisa de células-tronco”.
E na Sede de Pedro, a Pontifício Academia para a Vida definiu como “momento histórico” da humanidade este das mais recentes descobertas a respeito das células-tronco adultas.
Viva a vida!

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