Nós nos orgulhamos de todos os nossos filhos. Cada um tem seu problema, cada um tem sua maneira de ser e agir. Cada um é "único saído das mãos de Deus". Cada um reage de modo diferente em situações análogas. Cada um tem sua índole. Cada um é criatura do Deus Trino que nos concedeu a Graça de conceber e sermos co-criadores.
Hoje olhando para trás nós refletimos que erramos muito. Nós nos enganamos muito. Em várias ocasiões fomos duros e ofendemos. Desejávamos que todos fossem perfeitos, sem falhas, cumprindo de maneira plena todos os ditames da razão. Talvez até por imaturidade nos esqueciamos de que cada pessoa tem sua personalidade, seu caráter, sua razão. Que todos nós sem exceção estamos sujeitos a erros e acertos. Nossos filhos não podem ser diferentes.
Mas, tenha certeza, se nos fosse dado voltar no tempo repetiríamos tudo do jeitinho que fizemos. Cada filho que nasce é uma bênção, é um dom. Para mim representa o próprio Criador no meio dos pais unindo-os em um amor eterno. Os filhos são a concretude do amor dos pais. É o nosso amor que se torna concreto; se convertendo em carne, podendo ser pego ao colo, acariciado, beijado, afagado, amamentado e colocado no berço para dormir. Sem dúvida alguma é o elo mais forte da corrente que une pai e mãe. Mesmo quando se considera que o amor se findou, que o ocaso da afinidade se interpôs entre o casal, mesmo quando ocorrem separações, os filhos são prova patente de que a união dos pais gerou "alguém", que tendo uma parte de cada um, eterniza aquele amor que se pretendia fosse eterno. Não há como voltar atrás. O DNA impresso na genética do filho mostrará por milênios que um dia pela união de pai e mãe ficaram impressos na posteridade os traços também herdados dos nossos antepassados.
Assim temos parte relevante nos acertos e erros dos filhos. Eles não herdam apenas a parte biológica, algo de metafísico se imprime indelevelmente na alma de cada um. Por atavismo as reações de alegria e tristeza se entrelaçam naqueles que se amam. Por isso choramos com os que choram, sorrimos com os que riem, sofremos com os que sofrem e exultamos de alegria com aqueles que alcançaram uma vitória na consecução de seus objetivos.
Vocês, claro, são diferentes no acariciar, no elogiar, no se preocupar, no lutar, no compreender, no perdoar, no reagir às situações, no se relacionar, no orar, no conversar, nos assuntos abordados, mas não há diferenças quando aninhados no coração dos pais formam essa família da qual temos enorme orgulho.
Para nós Deus colocou em nossas cabeças sete "coroas de louros", que simbolizam cada filho que nos concedeu e nos lembram de que somos responsáveis por cada uma dessas coroas e, se fizermos poeira na estrada da vida, teremos que prestar contas junto ao Pai, por não termos sido exemplos na vida daqueles que Ele nos confiou e que seguem nossos passos.
Beijão. Mamãe e Papai.