Os três votos sagrados que se faz na ordenação são conhecidos em toda a bibliografia da Igreja como "Conselhos Evangélicos".
"Os Conselhos Evangélicos", fundamentados na doutrina e nos exemplos de Cristo Mestre, são um dom divino que a Igreja recebeu do Senhor e que, com sua Graça, conserva sempre". (Cân. 575).
"... comporta para os que assumem livremente o chamado à vida consagrada, a obrigação de praticar a castidade no celibato pelo Reino, a pobreza e a obediência" (CIC 915).
"Todo batizado é chamado à CASTIDADE. O cristão"se vestiu de Cristo" (Gl. 3,27), modelo de toda castidade" (CIC 2348).
"As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência" (CIC 2349).
"Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido. A sexualidade é fonte de alegria e prazer" (CIC 2362).
"A fidelidade conjugal exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O Sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo e sua Igreja. PELA CASTIDADE CONJUGAL ELES TESTEMUNHAM ESTE MISTÉRIO PERANTE O MUNDO".
Os diáconos permanentes, vivendo a dupla sacramentalidade do "Matrimônio e da Ordem", exercem a castidade na vivência de um amor absolutamente fiel, cumprindo, assim, o compromisso sacramental do Matrimônio e a fidelidade a Cristo: "Eu te prometo SER FIEL...".
"O conselho evangélico da pobreza, à imitação de Cristo, que sendo rico se fez pobre por nós, além de uma vida pobre na realidade e no espírito, a ser vivida laboriosamente na sobriedade e alheia às riquezas terrenas, implica a dependência e a limitação no uso e na disposição dos bens..." (Cân. 600).
"Se queres ser perfeito, vai, vende todos os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me (Mt. 19,21)". Nos AT. 2,42-47 podemos ver que os primeiros cristãos levavam ao pé da letra o conselho de Cristo. Vendiam seus bens, tinham tudo em comum e viviam em unidade.
Para os diáconos, como para qualquer pessoa, o viver a "pobreza" tem sua relatividade. Não é possível vendermos todos nossos bens e distribuirmos aos pobres, sem dúvida ficaríamos também pobres. De que viveriam nossas famílias? Este ato configuraria, inclusive, irresponsabilidade de nossa parte, pois, temos deveres a cumprir. A pobreza relativa implica em procurar não viver na opulência, apegando-nos aos bens terrenos. Colocando nossos haveres "acima de todas as coisas" e deixando de viver a maior das virtudes - A CARIDADE. O livro "DIACONATO PERMANENTE E MINISTÉRIO DA CARIDADE", do Diác. José Durán Y Durán, nos traz pistas importantes de como viver a caridade dentro de nosso ministério.
Tem sua fundamentação teológica no próprio Cristo: "E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz (Fl. 2,8)".
"O conselho evangélico da obediência, assumido com espírito de fé e amor no seguimento de Cristo obediente até à morte, obriga à submissão da vontade aos legítimos Superiores, que fazem as vezes de Deus, quando ordenam de acordo com as próprias constituições (Cân. 601)". "E ele lhes era submisso (Lc. 2,51)".v
O compromisso de obediência que fazemos ao Bispo no momento da ordenação e o abraço que recebemos no fim da liturgia, significam que o Bispo nos considera como seus colaboradores, filhos pelo grau sacramental e irmãos no mesmo Sacramento e, por outro lado, nós lhe devemos amor e obediência.
"O dever da obediência impõe a todos a prestar à autoridade as honras a ela devidas e cercar de respeito e, conforme seu mérito, de gratidão e benevolência as pessoas investidas de autoridade (CIC. 1900)".
É impossível uma organização se manter sem hierarquização e sem uma observância de normas e ordens emanadas dessa hierarquia. Temos que ter obediência ao nosso Bispo e até ao pároco em cuja paróquia estejamos provisionados. Todavia não podemos considerar que seja uma obediência cega, burra, subserviente, irresponsável, insensata, inconseqüente. Nada impede que embasados em critérios sensatos, razões ponderáveis e justificativas plausíveis, venhamos a dialogar e, por que não, até contestar as ordens recebidas.
Fontes:
Bíblia Sagrada
CIC - Catecismo da Igreja Católica
Código do Direito Canônico