Os recentes Congressos Missionários de Aparecida – Nacional, de Araras – Regional Sul 1, e de Quito/Equador – CAM 3/COMLA 8, provocaram na Igreja de São Paulo, do Brasil, da América Latina e do Caribe e do Continente Americano uma profunda reflexão sobre a missionariedade.
Há bom tempo se fala em Missão, mas nunca se “colocou a mão na massa” como agora. As reflexões e subsídios da Conferência de Aparecida estão ecoando em todos os ouvidos e corações. A Igreja é re-despertada para a Missão, seja ela local – urbana e rural, seja ela “ad gentes”, há toda uma expectativa para que seja realidade em todos os lugares.
A missão dos batizados, refletida profundamente em Aparecida e base das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, precisa ser assumida de coração aberto. O lema “Escuta, aprende e anuncia” precisa ser levado como bandeira em toda a ação evangelizador. O discípulo missionário deve estar atento ao que o Mestre fala; deve ter desejos e humildade para aprender e deve assumir o profetismo recebido como dom no Batismo: anunciar as maravilhas do Reino e denunciar as injustiças, sempre no poder do Espírito Santo.
Qual então o papel do diácono nesse projeto? O que se espera do Diácono na Missão? O que o diácono pode oferecer à Igreja?
O Instrumento de Trabalho do CAM 3/COMLA 8 (10-23) apontou como eixos temáticos: Discipulado – Comunidade Discípula de Jesus; Pentecostes – Comunidade guiada pelo espírito; Evangelização – Comunidade Missionária para a humanidade. Traz como modelo Maria, Discípula e Missionária. Refletindo os eixos temáticos, vemos o quanto o diácono tem de opções para se inserir de uma vez por todas na Missão, sem deixar de fazer o que é próprio de seu Ministério, mas fazendo aquilo que é do Ministério com mais desenvoltura, qualidade como autêntico Missionário. Sempre é bom lembrar que o Diácono, sua esposa, sua família estão mais próximos da Comunidade, e é na Comunidade que acontece a Missão.
O discípulo missionário senta aos pés do Mestre para escutar, aprende com Ele e d’Ele e quer anunciar. Não apenas com palavras, mas com gestos de amor, caridade, acolhida. Eis a essência do nosso Ministério diaconal. Eis como podemos animar a comunidade, os leigos.
Às vezes os projetos pastorais, missionários, catequéticos, caritativos falham porque queremos fazer como “nossos projetos”, à nossa maneira. Quando confiamos ao Espírito Santo os projetos e ações, quando perguntamos ao Senhor “que queres que eu faça?” (At 9,6) e nos deixamos conduzir pelo Espírito, tudo acontece. Lembremos que Maria já nos tinha dado a resposta, antes mesmo de perguntarmos: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2,5).
Pela nossa fraqueza humana, há uma tendência de ficarmos “na nossa”, fazendo o rotineiro, auxiliando ou presidindo celebrações Litúrgicas, ministrando Batismo, Matrimônio, Exéquias rotineiramente. Eis o perigo: às vezes é necessário “tirar o umbigo do Ambão”, “tirar o assento da cadeira” e ir descobrir as “novas formas de pobreza” (palavras do Papa Bento XVI aos Diáconos), os “novos rostos sofredores” (Documento de Aparecida. Qual o Bispo, o Pároco que não se alegraria com o despojamento do Diácono em ir prestar serviços, em ser missionários nos novos areópagos?
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – Doc. 87, dá importantes pistas para que o diácono exerça sua missão. Elencamos algumas do numero 200: “Mais rápida setorização das paróquias territoriais em unidades menores, que permitam proximidade e serviço mais eficaz” (b). “Multiplicação e diversificação das comunidades eclesiais nas periferias e em ambientes específicos, tais como a escola, a universidade, os ambientes ainda rurais e o mundo das diferentes etnias” (c). “Descentralização dos serviços eclesiais, levando em conta as categorias profissionais” (d); maior presença nos centros de decisões da cidade, tanto nas estruturas administrativas como nas organizações comunitárias (f). “Atenção especial à evangelização nos ambientes de favelas, cortiços e periferias, lugares facilmente esquecidos pelo poder público e nem sempre atingidos pelas iniciativas pastorais” (k). “Formação específica para presbíteros, diáconos e agentes de pastoral, capacitando-os a responder aos novos desafios da cultura urbana” (m).
Cabe a cada um de nós, diáconos, o discernimento necessário para o exercício digno do ministério. Cabe aos formadores exortarem os candidatos a não buscarem “status” como Diácono, mas a serem humildes servidores. Aprender do Mestre que disse: “Vim para servir, não para ser servido (MT 20,28).