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A Estrutura Hierárquica da Igreja

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A humanidade cria associações ou sociedades em torno de interesses ou necessidades e cria comunidades em torno do amor. Jesus não veio criar uma sociedade ou alguma associação para resolver problemas concretos, estruturais ou ocasionais, mas veio fundar uma comunidade, onde todos, acima das diferenças e dos interesses, se amassem na medida do seu próprio amor.

A comunidade cristã evidentemente não é iniciativa humana. Não brota do amor espontâneo ou forjado. Falamos de algo mais profundo ao referirmos a Igreja. Ela é iniciativa de Cristo não só no sentido de lhe dar o empurrão inicial e incentivar os seus fiéis a se unirem em comunidades, mas no sentido de uma nova criação, mais sublime que a primeira. Esta nova criação tem duas vertentes: o surgimento de seres novos pelo batismo; e a formação de uma identidade nova que os congrega no amor. São duas realidades novas que brotam dos sacramentos, que Ele instituiu.

Em primeiro lugar a Igreja é formada por cristãos, isto é, por pessoas que acolheram, pela fé, a pessoa de Jesus Cristo como Salvador, e consequentemente foram batizadas. O batismo, que lhes foi ministrado por um ministro da Igreja, tem três efeitos: primeiro: apaga-lhes todo pecado, o que equivale a dizer que os reconcilia com Deus e com o universo em que vivem; segundo: torna-os filhos de Deus, que S. João exprime como "técna", isto é, ainda crianças de Deus, que necessitam de muito cuidado e carinho até chegarem à plenitude da graça e da verdade de Cristo; e terceiro: integra-os na Igreja como membros. É maravilhosa a obra do batismo! Falamos de uma nova humanidade, a humanidade dos filhos de Deus.

Mas a Igreja não é apenas uma associação de filhos de Deus. Jesus mesmo lhe deu uma estrutura e consistência sobrenatural. Ele mesmo se define como sua cabeça e lhe infundiu, como princípio vivificador, o Espírito Santo. Portanto a igreja tem vida própria. Ele mesmo é sacramento do Pai para a salvação da humanidade. Nós somos seus membros, unidos por um vínculo mais profundo que aquele que liga os membros do nosso corpo físico à nossa vida! Somos um em e por Cristo, no Espírito Santo.

A IGREJA SACRAMENTAL

Conhecemos a Igreja como o Corpo Místico de Cristo na terra. Nela circula a seiva da graça. Ela mesma é um mistério de fé. Por isso professamos, no Creio, nossa fé tanto nas Pessoas divinas do Pai, do Filho e do Espírito Santo como na Igreja, que reconhecemos una, santa, católica e apostólica. Ela age pela força do Espírito Santo, em nome e com o poder de Cristo. O Concílio Vaticano II definiu-a como o Grande Sacramento. É o sinal sensível, presente no mundo, da graça de Cristo.

Estávamos, até o Concílio Vaticano II, habituados a falar em sete sacramentos como canais da graça. O Concílio não acrescentou um novo mas leva nos à origem. Põe Cristo como Sacramento - fonte e a Igreja como o Grande Sacramento, do qual flui o tríplice múnus de ensinar, de santificar e de reger o Povo de Deus. Ela recebeu a incumbência de levar a salvação de Cristo a todos os homens. Dispõe por isso de uma série de instrumentos, como canais eficazes da graça. Mas é sempre Ela que age "in persona Christi".

O SACRAMENTO DA ORDEM

A Igreja conta, entre seus sete sacramentos, com um que lhe diz diretamente respeito. Foi-lhe dado para seu crescimento. Trata-se do Sacramento da Ordem. Age sobre o Corpo Místico. Podemos entendê-lo melhor fazendo a comparação entre a doutrina ética e a doutrina social da Igreja. A primeira diz respeito à ação dos indivíduos, seu comportamento frente a si mesmos, frente aos outros, frente ao mundo e frente a Deus, ao passo que a segunda se refere à estrutura e à ação da própria sociedade, ou seja, mostra como ela deve ser organizada para ser condizente com a visão cristã do homem.

Na Igreja temos cinco sacramentos que se referem mais diretamente à vida pessoal do cristão: para seu nascimento novo, para seu apostolado, para sua reconciliação com Deus e o próximo, para seu sustento no plano da fé e para sua passagem para a outra vida. E temos dois sacramentos que dizem mais respeito ao próprio Corpo da Igreja: o Matrimônio que forma a igreja doméstica, proporcionando as graças indispensáveis para essa convivência familiar; e a Ordem que atua sobre todo o Corpo eclesial, com a autoridade e a força de Cristo. Mostra que a Igreja não é apenas uma sociedade humana nem apenas uma sociedade de pessoas de fé cristã. Ela tem um modo de agir próprio, que lhe foi dado por Cristo, com órgãos especiais, visíveis e eficazes.

O TRÍPLICE GRAU DA ORDEM

O sacramento da Ordem distingue-se dos demais por sua complexidade. Falamos de três graus. Eles correspondem a uma necessidade do Corpo eclesial. Não são, porém, apenas sociológicos, numa espécie de manipulação das necessidades humanas. Seu fundo é teológico, proveniente de uma necessidade não da sociedade humana mas do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Podemos compará-lo ao sacramento da Eucaristia, instituída sob duas espécies: do pão e do vinho. Em cada uma está Cristo inteiro, vivo e ressuscitado, mas de modo diferente. Na celebração eucarística está previsto não só que se faça a dupla consagração como também que o celebrante comungue sob duas espécies. Mesmo tendo, por séculos, restrito a comunhão para os fiéis a uma só espécie, nunca foi abolida a dupla consagração nem a norma da comunhão do sacerdote sob ambas as espécies. Hoje se volta novamente a valorizar a participação dos fiéis na comunhão integral, depois que se incentivara, já há mais tempo, a freqüência a esse sacramento como integrante da participação na celebração eucarística. Que significa ou que acrescenta a comunhão eucarística à assistência da Missa e o que acrescenta a comunhão sob duas espécies á comunhão apenas sob a espécie do pão cabe aos teólogos elucidar e aprofundar. Certamente não é inútil. Integra a instituição eucarística. De modo semelhante deve analisar-se o tríplice grau do sacramento da Ordem. Desde o Concílio Vaticano II ficou claro que o Sacramento da Ordem é constituído de Episcopado, Presbiterado e Diaconado. Antes se discutia se o Diaconado era sacramento bem como se também o Subdiaconado e as quatro "ordens menores" deveriam ser enquadradas no sacramento da Ordem.

Pela definição conciliar agora está clara a divisão trípartite da Ordem. Os três graus são sacramento o que equivale a dizer que são canais da graça, ou seja, são sinais sensíveis eficazes da ação de Cristo, cada um com sua ação específica. A questão é entender o específico de cada um e abrir-lhe seu devido espaço na Igreja. Não se trata, porém, de pura funcionalidade ou de conceder algum trabalho na distribuição de tarefas aos agentes de pastoral. Estamos, pelo contrário, diante de um sacramento. Ele age pela força de Cristo, no Espírito. Tem pois competência sobrenatural e integra a hierarquia da Igreja. Ou seja faz parte da sacralidade eclesial.

Ninguém duvida de que o Bispo tem a plenitude do sacramento da Ordem. Por praxe milenar da Igreja, ele recebe três vezes o sacramento, nos diversos graus: primeiro como diácono, depois como presbítero e por fim como bispo. Por isso, além de Bispo, por força da ordenação, ele também é presbítero e diácono. Em outras palavras, pelo fato de ser ordenado presbítero não deixa de ser diácono e pelo fato de ser ordenado bispo não deixa de ser nem diácono nem presbítero. Por isso falar de diácono permanente seria o mesmo que falar de presbítero permanente para quem não acedesse à ordem episcopal.

Na ordem da essência, porém, não seria necessário que o Bispo fosse ordenado Diácono. Se assim fosse seria mais fácil entender o específico de cada um, sem misturar nem acumular ofícios. Pergunta-se pois pelo específico: qual é a natureza do Diácono, qual a natureza do Presbítero e qual a natureza do Bispo? Que lhe conferem as respectivas ordenações? Como se relacionam entre si e com a Igreja?

Sem querer esquadrinhar os três graus da Ordem, atenhamo-nos ao Diaconado. Está definido que se trata de um sacramento, que integra a Ordem. Diz pois respeito ao Corpo Místico e à graça de Cristo. É canal de sua graça. Trata-se pois de ver qual a graça que Cristo lhe concede de transmitir em sua Igreja. Certamente sua instituição não foi inútil e a recuperação desse sacramento para o nosso tempo, pelo Concílio Vaticano II, tem um sentido profundamente eclesial. Foi esse concílio que estudou a fundo a Igreja e nela encontrou o Diaconado com uma realidade específica.

II. AS PASTORAIS SOCIAIS

O Cristianismo tomou como símbolo de sua fé a Cruz. É seu logotipo. Em primeiro lugar porque por ela nos veio a salvação. É o sinal supremo do amor de Cristo, que deu sua vida, morrendo nela e por ela. A lenda aponta Constantino, que teria tido uma visão antes da batalha de Ponte Mílvio, que lhe apontava a Cruz com os dizeres: "in hoc signo vinces": neste sinal vencerás. A Igreja sente continuamente o sinal da Cruz como o sinal da grande vitória sobre o mal e a morte.

Mas logo se foi aprofundando o significado do logotipo. Trata-se de duas hastes: uma vertical, apontando para cima, e outra horizontal, incluindo os lados. A horizontal corta a vertical, o que significa que o social atravessa a transcendência. Em outras palavras a Cruz aponta para Deus e para o homem. Envolve, num único gesto, o amor de Deus e do próximo. É o sinal do cristão e a garantia da vida eterna: para possuí-la se ordena apenas que se ame a Deus e o próximo.

O SER RELIGIOSO

Não há dúvida que o ser humano é, por natureza, religioso. Santo Agostinho o sentencia de modo enfático: "fizestes-nos para Vós, Senhor, e nosso coração está irrequieto enquanto não repousar em Vós".

A Igreja tem consciência de sua dimensão religiosa. Ela nos leva a Deus e nos traz as graças dele para a nossa salvação. Recebeu, por isso, o Sacerdócio que, qual pontífice, lança a ponte entre nós e Deus. É o canal das graças divinas, com seu tríplice ministério da Palavra, do Culto e da Caridade. Em outras palavras, o Presbítero é, por sacramento, o instrumento de Deus para transmitir ao seu Povo a Palavra divina, para celebrar o seu culto, tornando Cristo presente na Eucaristia e nos demais sacramentos, e para reunir as pessoas em comunidade cristã, qual pai de família.

O SER CARENTE

O ser humano não é puro espírito, nem mero indivíduo. É um espírito encarnado, essencialmente social. Tem, sem dúvida, uma dimensão transcendente, indo em busca de Deus, como uma força iniludível, mas também é material e social e radicalmente carente. Nasce desprovido de quase tudo. Não consegue inicialmente fazer nada por si, a não ser chorar, ou seja, chamar atenção sobre si mesmo para não ser desamparado.

A diferença de Cristianismo e as religiões pagãs está no fato de estas tentarem levar o homem a Deus enquanto aquele mostra Deus empenhado com o homem. Em outras palavras, a diferença é que, nas religiões pagãs, o homem tenta ir a Deus, enquanto no Cristianismo Deus vem ao encontro do homem. Enviou seu Filho, "por causa de nós homens e por causa de nossa salvação desceu do céu e se fez homem, padeceu e foi crucificado".

Toda a vida de Jesus é uma manifestação de sua missão. O Concílio Vaticano II, sem diminuir a revelação que Cristo faz de Deus, acrescenta que Ele veio revelar o homem ao homem. Nele todos nós nos reconhecemos. E chega ao cúmulo de garantir que tudo o que fizer ao menor de seus irmãos Ele o assume como feito a Ele pessoalmente.

A partir deste princípio, praticar religião, além de amar a Deus, é amar o próximo. É voltar-se para o homem, com destaque do mais carente. Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho bem amado. Por isso S. João descobre que quem ama conhece Deus e quem não ama não conhece Deus porque Ele é Amor.

S. Paulo garante-nos que temos um tesouro num vaso de argila. Vista à luz da fé cristã nossa fragilidade se transforma em riqueza e força. É que nela e por ela sentimos a necessidade de ser amados e ajudados, ao mesmo tempo em que aprendemos a amar e socorrer os outros. É belo demais ser frágil e pobre! Assim tornamo-nos os privilegiados de Deus! O orgulhoso e o rico se julgam auto-suficientes. Nós, ao invés, degustamos do colinho de Deus e do carinho dos outros, porque somos os pobres de Javé.

Claro que pobreza não é, em primeiro lugar nem prevalentemente, material. Pobreza é abertura para o outro. Pobreza é não estar cheio de si a ponto de ninguém mais ter acesso. Pobreza é alegria de convivência. Pobreza é satisfação de estar nas mãos de Deus e dos outros, irmãos. Pobreza é ser rico em amor. Pobreza é descobrir o valor da vida e da fé. Nossa riqueza, na verdade, é a consciência de nossa pobreza material e espiritual. Diz-se que os maiores sábios chegaram à convicção de não saberem nada. Assim os mais ricos são os que descobrem não possuir nada e ser carentes de tudo.

NOSSA SOLIDARIEDADE

Nós somos cristãos. Pertencemos à Igreja, da qual somos membros. É sabido que quem participa da comunidade eclesial não passa fome, nem física nem espiritual. Cristo, através de sua Igreja, providencia o suficiente. Somos um em Cristo.

Não por nada Cristo instituiu o sacramento da Ordem. Ordenou aos discípulos, no deserto: "dai-lhes vós mesmos de comer". Se no momento se referia ao pão, seu significado era mais abrangente. Envolve todas as necessidades humanas.

A Igreja, de acordo com a narração de S. Lucas, nos Atos dos Apóstolos, sentiu, desde logo, a necessidade de providenciar o necessário para seus fiéis, com a organização de uma fantástica obra de atendimento. Como não bastasse o esforço humano, impuseram as mãos a algumas pessoas para torná-las sacramento para esta missão. A Igreja vê ali a instituição do Diaconado, que logo teve ampla repercussão no meio em que atuou. Trata-se da atuação num campo que é essencial para a evangelização. É o testemunho da própria Igreja, de sua fé em Jesus Cristo: nisto todos conhecerão sua verdade e sua condição de discípulos, ou melhor ainda, de sacramento de Cristo. Ela mesma acolhe o sacramento do Diaconado para dizer que sua atuação social não está alheia à sua missão. É Ela mesma que age, através de um sacramento, em prol dos mais carentes, para lhes transmitir, não apenas em palavras mas com os atos e em gestos concretos, a salvação de Cristo.

Entendemos assim que o amor é a essência da vida cristã não apenas como atitudes pessoais mas também como a essência da própria Igreja. Ela toda, através de sua hierarquia, estabelecida em grau específico no Diaconado, é amorosa. Vive do amor e para o amor. Sem amor Ela não é Igreja e sua fé, sem as obras de amor, seria vazia ou morta.

Portanto são os Diáconos, por missão específica, que tornam viva a fé da Igreja no meio do mundo. São constituídos, por um sacramento específico, a expressão de amor de Cristo e da Igreja. As pastorais sociais não se podem reduzir ao atendimento de algumas necessidades. Elas devem ser expressão do amor de Deus para com os mais carentes.

III. A ORGANIZAÇÃO DA CARIDADE

Nosso Senhor nos deu um só mandamento: o de amar como Ele amou. Mas, como vivemos num mundo complexo, sentimos as exigências do amor, sem conseguirmos dar-lhes respostas condignas. Às vezes ficamos perplexos, sem saber o que fazer e sem conseguir discernir se uma ação ajudará ou prejudicará, se é amor ou paternalismo, se promove ou deprime. Não é fácil compreender o amor exigente.

Seria fácil sair de chapéu na cabeça e passar ao longo de nossas ruas distribuindo esmolas aos pedintes. Logo porém nos viria o remorso: estaríamos ajudando o pobre ou perpetuando sua miséria? Com o surgimento da indústria, no século XIX formou-se uma nova classe social, que recebeu o nome de proletariado. Iniciou numa situação extremamente deplorável. Foi quando Marx lançou o Manifesto Comunista.

Os católicos estavam divididos, sem saber exatamente como responder aos desafios da nova época. Alguns apelavam para soluções tradicionais, como a esmola mais generosa. Outros julgavam que a situação era estrutural e que seria necessário mudar as estruturas. Foi quando Leão XIII interveio com sua encíclica social, a primeira de uma série que depois se seguiriam. "Rerum Novarum", em 1891. Em resumo apelava para soluções novas para os novos problemas. Marcou época.

Iniciamos o Terceiro Milênio com muitas perplexidades. O espectro da guerras e da violência marcou a passagem do Milênio. A guerra do Iraque abalou as estruturas e a confiança mundial. Não há mais o que esperar de bom de países que agem na base da mentira, matando e destruindo em larga escala. Não menor é o espectro da fome. A CNBB lançou, como grande grito para o novo milênio, um mutirão para a superação da miséria e da fome. O governo Lula tentou responder-lhe positivamente com o projeto da "Fome Zero". Mas a corrupção e a mentira solaparam nossos fundamentos de credibilidade. Que fazer diante desta situação de descrédito?

AS DIACONIAS

A Igreja tem uma mensagem de salvação e de esperança. Não se restringe à dimensão religiosa ou vertical, na busca de Deus. O Reino de Deus já começou. Cristo está entre nós e permanece até o fim dos tempos. Ele é nossa salvação.

O amor de Deus foi infundido em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

A Igreja confia, por uma exigência sacramental, aos Diáconos a tarefa de organizar a caridade e de efetuar a grande parceria com todas as entidades e pessoas dispostas a atuar neste campo. Não precisamos Ter medo de concorrência. Tudo o que se fizer pelo bem do ser humano soma e não pode dividir.

Para não deixar à livre iniciativa pessoal de cada um ou de cada diácono, criamos as Diaconias, como entidades oficiais da Igreja no campo social. Cabe-lhes coordenar - e não abafar - todas as pastorais sociais e contactar todas as iniciativas da sociedade no campo social, para estabelecer parcerias e maior visibilidade a tudo o que se faz neste setor.

As Diaconias são a Igreja no campo social. Visam mostrar o que a Igreja faz e articular toda a sua ação, de modo a unir as forças e garantir o êxito e o apoio da própria Igreja. Propõe-se para isso ser o canal oficial para atrair sempre novos investimentos, tanto pessoais como grupais, para este campo e, depois, encaminhá-los onde se descobrir mais necessidade.

Por se tratar de uma entidade eclesial, a Diaconia se reveste não só da oficialidade mas também da sacralidade da Igreja. Tem à frente um Diácono, ou seja, uma pessoa ordenada, que age em nome e pela força sacramental. Para quem tem fé esta condição não é de somenos importância. Constitui a essência da Diaconia, que promana de sua eclesialidade e da força da graça divina. Mas assim como na Paróquia o Pároco não pode agir a sós, exatamente porque sua função é presidir, na Diaconia o Diácono deve estar cercado de um conselho, com representantes da ação social de cada paróquia. Não fizemos coincidir a Diaconia com a Paróquia para evitar o conflito de competência e determinar a função de cada uma. Sob a presidência do Diácono a primeira e a do Pároco a Segunda. A Diaconia é mais ampla que a Paróquia. Engloba várias paróquias.

Além de representantes das paróquias, o Conselho da Diaconia também reúne os dirigentes de todas as entidades da Igreja que atuam no plano social dentro de seu âmbito. A Diaconia não se destina, em primeiro lugar, a realizar obras de cunho social, mas em articular todas as iniciativas, de modo a tornar mais orgânica toda a pastoral social, integrando-a também com as iniciativas de toda a sociedade.

A EVANGELIZAÇÃO

Não estamos aqui questionando a dimensão liturgica do Diaconado. Mas seria erro fatal pensar que o Diácono exerce sua missão evangelizadora na liturgia, enquanto sua atuação social seria de outra índole, ou seja, seria apenas social. No Cristianismo esta dicotomia ficou superada pelo próprio mistério da encarnação. A ação evangelizadora específica do Diácono é o serviço social. Mas serviço social não é pura solução técnica de problemas. Existe uma mística, que se alimenta do Evangelho e que se traduz em Evangelho. O Diácono é evangelizador por sua missão de serviço. Administra a caridade, inserindo-a no contexto social. Sabemos que isso não é fácil. Supõe muita oração e estudo. Trata-se de fazer transparecer em nossa ação social a graça e o amor de Jesus Cristo e da Igreja. É preciso crer na ação sacramental da caridade, considerando que o Diácono é alguém revestido do poder de Cristo e, por isso, age em seu nome e com sua força, fazendo perpassar toda a sua Diaconia deste espírito. A equipe do Diácono recebe, pois, a marca sacramental do mesmo: ela é toda diaconal.. Não pode perder sua mística. É portadora do Evangelho de Jesus Cristo. Por ela os pobres são evangelizados, porque seus doentes são visitados, seus presos são assistidos em suas famílias, suas carências são atendidas e feliz é quem não se escandalizar da presença de Cristo por meio de seus Diáconos em nosso meio!


Dom Dadeus Grings

Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre

data do artigo: 31/05/2005

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