Uma das dificuldades que o Diácono Permanente enfrenta nas suas atividades clericais, é a da participação em movimentos da Igreja. Por ter sido restaurado há pouco tempo (Concílio Vaticano II), não é compreendido em sua plenitude por muita gente. O trabalho de conscientização sobre a vocação diaconal não é feito com a devida intensidade, restringindo-se, meramente, dentro do mês vocacional, a uma ou outra citação. Mesmo nas catequeses a vocação diaconal não é devidamente contemplada.
Com os Movimentos da Igreja ocorre o mesmo fenômeno. Visa-se a proximidade com a pessoa do Bispo, do Presbítero, e também dos seminaristas e religiosos. O Diácono, em alguns momentos, é relegado a um segundo plano. Há que se esclarecer que não se trata de entendimento comum a todos: o problema de relacionamento com o Diácono Permanente se restringe à liderança dos movimentos, e não com relação aos participantes dos mesmos (minha visão). É culpa da formação dos lideres, e não de rejeição simples e pura. Não é "privilégio" deste ou daquele movimento: todos, por seus lideres, acabam causando algum tipo de empecilho à participação plena do Diácono.
O que é preciso deixar claro é que o Diácono, assim como o Presbítero e o Bispo, é ordenado para a Igreja, e não para este ou aquele Movimento. Com relação ao Bispo e Presbítero, os Movimentos entendem assim. Com relação ao diácono, chega-se a exigir a participação plena, a dedicação única ao Movimento, sem ater-se ao Ministério Eclesial do Diácono Permanente, que é amplo e contempla todos os segmentos da Igreja dentro da Diocese, da Paróquia, da Comunidade.
Há momentos especiais dos Movimentos em que o Diácono poderia ter uma participação mais ativa. Entenda-se que o Diácono Permanente tem o direito de estar ligado à um determinado movimento. Há os que optam pelo Caminho NeoCatecumenal, outros pela Renovação Carismática, pelo E.C.C., Cursilho, Focolares, Emaús etc. É um direito do cristão. Aliás, são os movimentos da Igreja os segmentos que mais proporcionam vocações dentro da Igreja. Com relação aos Diáconos, não é diferente. Estou entre os que tiveram a vocação alimentada dentro da R.C.C.
Às vezes os que lideram, na ausência do sacerdote, valorizam muito mais os ministérios leigos, talvez por desconhecer que o Diácono Permanente tem o múnus para exercer. Exposição do Santíssimo Sacramento, Celebração da Palavra, Pregação sobre os Ministérios, são alguns dos serviços que poderiam ser prestados pelos Diáconos. Mesmo os Conselhos dos Movimentos, em suas reuniões, deixam de convidar os Diáconos para participarem e conhecerem melhor os trabalhos. A exigência de participar em tempo integral de determinado movimento fere a normalidade do ministério diaconal dentro da sua área de atuação. Mas o Diácono deve ter consciência de que pode e deve oferecer o que for possível ao Movimento ao qual está integrado. Infelizmente, a recíproca não é verdadeira. Não se trata aqui de discutir se o Movimento está tratando o Diácono como um leigo, ou que está considerando o Diácono com um mero substituto do Presbítero. Trata-se de levantar um questionamento que leve a liderança dos Movimentos de Igreja nas Dioceses a procurar se inteirar mais da vocação e do ministério diaconal para que o mesmo possa exercer esse ministério também no Movimento. O Seminário Diocesano é para a formação de Presbíteros para a Igreja, e não para determinado movimento. A Escola Diaconal também tem a mesma função. Quando se procura "torcer" para um lado, perde sua função específica. Por outro lado, insisto: os Movimentos de Igreja são celeiros de vocações para os seminários e casas religiosas. É também para o Ministério Diaconal. Após a ordenação, deve-se entender o ministério como um todo, e não para cada caso específico.
São Lourenço, Santo Estevão e Santo Efrém, rogai por nós.