CNBB
Principal>>

Artigos


A Paz e a Vida


Diácono José Antônio Jorge

Talvez nunca os temas ligados à paz e à vida estiveram tão em moda! A Bíblia nos deixa claro que a Paz é fruto da justiça (Is 32,17; Sl 85, 11-12). Para o povo oriental a saudação consiste basicamente em desejar a paz – “shalom” (Mt 19,12) Mas a paz duradoura, a paz profunda não diz respeito apenas à ausência de guerra. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a paz não pode ser obtida na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, sem a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos, a prática assídua da fraternidade” (2304). Francois de La Rochefoucauld sabiamente afirmou: “se não tens paz dentro de ti, não adianta procurá-la fora!”

A promoção da paz é essencial à defesa da vida humana e à própria sobrevivência do planeta. Assim, a Campanha da Fraternidade deste ano de 2008 que terá como tema “Fraternidade e defesa da vida” e lema “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19) enumera muitas iniciativas que podem ser tomadas a fim de promover a paz. Sem entrar num vicioso comodismo, desenvolver a mística da não violência, priorizando o diálogo, a solidariedade, o perdão e fugindo do caminho da vingança ou justiça pelas próprias mãos. Outra sugestão diz respeito à promoção de dinâmicas que favoreçam o perdão e levem à reconciliação. Em nenhum momento podemos minimizar as iniciativas para a defesa dos direitos humanos e a inclusão social. Martin Luther King expressa de uma maneira genial o perigo do comodismo, da inércia, do egocentrismo. Assim ele diz: “O que mais preocupa não é a farra dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio da gente ordeira."

Tendo em vista uma paz verdadeira e duradoura é essencial que exerçamos um profetismo denunciando e combatendo tudo o que fere a dignidade humana, como o trabalho escravo, o tráfico de pessoas, a exploração sexual, a violência doméstica, sobretudo contra a mulher, a criança e o idoso. A Campanha da Fraternidade vai ainda motivar o apoio com a aplicação de medidas sócio-educativas em relação às Pastorais Carcerária, da Criança e do Adolescente, sem descurar da Pastoral da Mulher Marginalizada, da questão com indígenas, moradores em situação de rua, quilombolas e outros organismos com foco em doenças sexualmente transmissíveis.

Diante das imensas dificuldades que o País está passando é essencial um trabalho em mutirão e permanente dos que militam nas áreas da política, da economia, das relações internacionais e de direitos humanos. Precisamos coibir as violações à vida – como o aborto e a eutanásia – que passaram a ser praticadas não mais como atitudes ilícitas, mas amparadas pelo próprio Estado. Vivemos uma estrutura de morte cuja consciência ofuscada pelo individualismo não mais sabe distinguir entre o bem e o mal. A verdade é que nunca o ser humano teve tanto acesso a Deus e nunca ficou tão distante como agora!

Vale a pena recordar aquele conto da sabedoria Cherokee onde um velho estava ensinando a seus netos sobre a vida. Ele lhes disse: “Uma luta esta ocorrendo dentro de mim, uma terrível luta entre dois lobos.” Um lobo é demoníaco… ele é o medo, raiva, inveja, ressentimento, remorso, cobiça, arrogância, culpa, inferioridade, mentira, falso orgulho, competição, superioridade e ego. O outro é bondade… é paz, amor, esperança, serenidade, humildade, carinho, benevolência, amizade, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. Esta mesma luta está acontecendo com você, e com todas as outras pessoas também.” Eles permaneceram em silêncio por um momento quando uma das crianças lhe perguntou: “Qual dos dois lobos vencerá? E o velho simplesmente lhe respondeu: “Aquele que você alimentar.”

data do artigo: 04/01/2008

(*) Mestre em Teologia e Doutor em Agronomia. Secretário da Comissão Arquidiocesana de Animação Missionária e autor do Dicionário Informativo Bíblico, Teológico e Litúrgico, com aplicações práticas.

voltar

Diácono José Antonio Jorge



Outros colaboradores