Comissão Nacional dos Diáconos

Reflexões sobre o documento de Aparecida

Uma formação que contemple o acompanhamento dos discípulos

Na proposta de Aparecida sobre o caminho de formação dos discípulos missionários, quando fala dos critérios gerais do processo de formação, é colocado como um dos critérios que seja uma formação que contemple o acompanhamento dos discípulos (Cf.n. 282). Cada pessoa deve ser acompanhada e formada de acordo com a peculiar vocação e ministério para o qual foi chamado.

Neste número parece-me que podemos destacar três aspectos. Primeiro a necessidade de acompanhar a cada pessoa. Segundo, acompanhar na peculiaridade da vocação e ministério de cada um. Terceiro, a necessidade de capacitar àqueles que possam acompanhar espiritual e pastoralmente a outros.

Hoje temos que reconhecer que na nossa Igreja encontramos dificuldades para acompanhar a formação dos discípulos. Até para acompanhar os vocacionados ao presbiterado, que é a vocação que mais atenções recebe, nem sempre encontramos pessoas disponíveis. Sabemos que acompanhar exige muito mais do que simplesmente dar uma aula, ter uma hora semanal de catecismo ou fazer uma palestra. Acompanhar não é simplesmente observar de longe, mas caminhar juntos. Em época de individualismo e de ativismo, quem é que se dispõe a acompanhar os outros? Na questão de acompanhar a formação vale o mesmo apelo que é feito para acompanhar os pobres (Cf.n. 397). È necessário dedicar tempo, prestar atenção, escutar com interesse, compartilhar horas, semanas ou anos de nossa vida.

Os diáconos permanentes devem ser acompanhados na sua formação no que lhes é peculiar e específico: “no serviço vivificante, humilde e perseverante como ajuda valiosa para os bispos e presbíteros”. Fica aqui focalizado o ponto chave deste ministério, o serviço. E ao mesmo tempo o foco que requer maior atenção dos acompanhantes. É bom lembrar quais são as pessoas encarregadas de acompanhar a formação: “o diretor da formação, o tutor (onde o número o exigir), o diretor espiritual e o pároco (ou o ministro ao qual o candidato é confiado durante o tirocínio diaconal)”. (Cf. Normas, n.20). Todos devem ser de grande experiência e competência e agir unidos com o objetivo de que o formando alcance a sua configuração a Cristo-Servo.

No terceiro aspecto nos deparamos com a necessidade de “capacitar aqueles que possam acompanhar espiritual e pastoralmente a outros”. Os diáconos nos deparamos com a carência de acompanhantes capacitados e preparados para acompanhar esta vocação específica. Inclusive o que mais falta é justamente o acompanhamento espiritual e pastoral. O acompanhamento da formação intelectual é o que mais atenções recebe, mas o espiritual e pastoral deixa a desejar. É urgente que os nossos bispos invistam na capacitação de acompanhantes dos vocacionados ao diaconado e dos próprios diáconos. Acompanhantes especializados neste ministério. Acompanhantes apaixonados pela formação de discípulos servidores.

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